quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Acredito


que o pior já passou e que o novo ano que aí se avizinha vai trazer tanto para mim como para todos muita saúde, pois com ela tudo se faz e tudo se consegue.

Desejo muita felicidade e essencialmente muita paz. Actualmente vive-se em constantes "guerrinhas" que não trazem nada de novo e nada de bom para ninguém. Muito pelo contrário, só prejudicam o nosso bem estar físico e emocional.

Durante esta minha etapa muitas vezes foram as vezes em que caí e caí dura! Muitas foram as vezes que me estava a erguer e levei rasteiras... Mas nunca desisti e não desisto! Recuso-me! Se há dias em que levantar-me da cama é um sacrifício, há outros em que é uma bênção.

O passado já passou e com ele fica a aprendizagem de que nada somos e nada temos. Que tudo é um "abre olhos" e é tudo passageiro. Também aprendi que fomos feitos para suportar tudo. Que nada acontece ao acaso! Que nada é impossível e que milagres existem!

FELIZ ANO NOVO repleto de muitos sonhos, objectivos, paz, amor e muita, muita saúde.

"Enquanto há vida, há esperança!"

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Nova Cirurgia

Recuperei da gastrectomia total (pelo que me dizem) muito rapidamente. Foi difícil, mas não impossível. Depois de algum tempo de baixa médica resolvi retomar o meu trabalho e voltar à minha vida normal. Estava farta e cansada de casa.

O meu pensamento estava constantemente no meu tipo de alimentação, se tudo o que comia era bom ou mau e se me trazia consequências. Estava a ficar maluca sempre a pensar no mesmo. Até que Deus fez-me perceber que o que tem de acontecer, acontece e não há nada que possamos fazer para contrariar os seus desígnios:

Passado algum tempo após retomar o meu trabalho, senti um desconforto e mais tarde uma dor do meu lado esquerdo da barriga. A minha alimentação era (e é) a melhor, levava uma vida calma e sossegada, andava super feliz porque finalmente e passados 2 anos pode voltar a ir à praia, ia à casa de banho normalmente e sentia-me lindamente. A dor intensificou e liguei à minha médica que me disse para tomar um Bem-u-rom e no caso de não passar para ir ao hospital. E foi o que fiz! Estive um dia inteiro no hospital de Leiria. Fui transferida para o Hospital dos Covões onde tive internada uma semana a fazer medicação para uma inflamação no intestino. A dor melhorava mas persistia. Ao fim de uma semana, deram-me alta. Neste período a minha médica encontrava-se de férias mas sempre em contacto comigo. Foi espectacular! (Como sempre!)

Regressei a casa e passados 10 dias a dor intensificou-se tanto que tive de chamar o 112. Pensava que morria! Não tinha posição de maneira nenhuma, não havia nada que me aliviasse as dores. Toda eu tremia e transpirava, a minha cor devia ser branca (a julgar pela cara do meu anjinho e dos meus pais onde via terror). Fui para o hospital de Leiria onde passei a noite toda em grande sofrimento, com frio, tremores e vómitos. Não estava em mim! Só rezava para que as dores passassem… Mas não passaram! Fui transferida mais uma vez para o Hospital dos Covões com o diagnóstico de linfoma. Estavam todos parvos!!! Ainda tremi 5 minutos, mas depois dei por mim a ralhar comigo própria: “Como é que pode ser oh minha estúpida! Já tiveste essa merda e nunca tiveste estes sintomas! Era bom que fosse assim! Tem calma pah! Não é! Não é! Não é!”

E não foi! Quando a minha médica chegou ao pé de mim na urgência do hospital parecia que estava a dançar o “rebolation”. O chão do hospital era todo meu. Já nem sabia como estar com tanta dor. Deitaram-me numa maca e mal vi a Dr.ª Licínia, estava de rabo para o ar com a cabeça enfiada entre os braços. A voz dela estava trémula… Só lhe dizia que já não aguentava mais! Deram-me uma injecção, daquelas potentes em que uma pessoa sente-se a voar, fizeram-me uma TAC depois uma eco e fui para o bloco operatório novamente. Tive um espessamento numa ança do intestino e tinha de ser operada imediatamente. Foi-me diagnosticado na hora certa! Mais tarde e…

Correu tudo bem! Voltei à cirurgia das mulheres onde todo o pessoal ficou super admirado. Estive internada alguns dias e psicologicamente foi muito, muito difícil. Não estava a fazer conta e não estava preparada. Muitas foram as noites em que chorei naquela cama de hospital. Não era justo!


                                            (imagem tirada da net)

Obrigada a todos os que tiveram comigo, a todos os que me apoiaram neste momento tão difícil e o meu muito, muito obrigada àquelas pessoas que estiveram sempre do meu lado!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL


O Natal tem muitos significados.

Para mim o Natal é o momento de partilha, de encontro e de amor. Natal para mim é todos os dias!

O consumismo e a troca de prendas só vem desvirtuar o sentido do Natal. Numa era como a nossa em que (a maioria das pessoas) podem comprar diariamente o que precisam ou gostam, que todos os dias são presenteadas e se presenteiam, não vejo o sentido da troca de prendas. Vejo sim a necessidade diária de ajudar os mais necessitados, os que mais precisam que infelizmente cada vez são mais. O estado actual do nosso país, da nossa economia faz com que cada vez mais haja mais desemprego, mais insegurança e mais dificuldades no seio das famílias.

No entanto e contrariamente ao que era esperado (pelo menos por mim), este ano foram gastos quase 800 milhões de euros em compras através de multibanco e foram levantados cerca de 600 milhões de euros... (ver notícia completa aqui)É caso para se perguntar: "Onde está a crise?"

Este ano e porque estou viva e porque sim, vou festejar o Natal em minha casa com a minha família! Acreditem que é o melhor presente que posso ter!

Hoje também é um dia especial para o meu mano que faz aninhos... e como tal vamos festejar o seu aniversário. Acima de tudo espero divertir-me muito esta noite e espero que todos se divirtam!

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal na companhia dos que mais amam!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Viver a Vida

Alguém se lembra desta telenovela brasileira? Eu lembro e relembro e jamais irei esquecer! A novela foi emitida na altura certa da minha vida, cada episódio era uma aprendizagem e uma verdadeira lição de vida. Tanto sofrimento neste mundo, tantas pessoas com tantas limitações que tiveram e têm força para ultrapassar todos os obstáculos…

Quem era eu para me fazer de coitadinha, de vítima perante os factos que a vida me apresentava.

A novela contava a história de Luciana, uma rapariga que ambicionava ser modelo profissional, muito mimada e muito embirrante que viu o seu sonho ser interrompido num acidente de carro. Ficou tetraplégica e teve de lutar primeiro para aceitar o seu novo estado de saúde, segundo pela sua vida e reabilitação e terceiro por ter uma vida “normal” com as suas limitações.

No final de cada episódio era apresentado um caso real e verídico de pessoas que conseguiram ultrapassar, superar um ou vários obstáculos e de como se vive a vida, ou melhor, como se luta pela vida com uma força que não imaginavam possuir e acabam por encontrar uma solução.

Assim, como eu iria encontrar a solução para a minha!


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Gastrectomia Total


Foi-me retirado o estômago na totalidade, ou seja, ligaram-me o esófago directamente ao intestino delgado como está representado na imagem em cima.

A principal função do estômago é dar continuidade à digestão, iniciada na boca e finalizada no intestino delgado; funciona também como um órgão de armazenamento, permitindo que a ingestão de uma refeição possa ser feita apenas duas ou três vezes por dia, se isto não fosse possível essa ingestão teria de ser feita a cada 20 minutos. É no intestino delgado que ocorre a digestão e absorção de nutrientes, mas quando os alimentos aí chegam devem estar bem triturados e uma vez que não tenho estômago tenho de o fazer com a boca, com os dentes.

Durante os primeiros dias após a cirurgia, fui alimentada por via endovenosa, ou seja, através de uma veia com um liquido pastoso branco que tem tudo o que é essencial.

Eu comecei a ingerir líquidos após o 10.º dia após a cirurgia. Nos últimos dias que estive internada tive o apoio da Dr.ª Anabela, nutricionista no hospital que me deu todas as dicas e conselhos essenciais a uma vida e alimentação normal. Fiquei muito contente pois fiquei a saber que o que tinha de fazer era tudo o que já fazia. Alimentação cuidada e saudável, evitar os doces e principalmente poder comer de tudo. Nada me era proibido ao contrário do que me diziam.

Como me foi removido todo o estômago, não consigo absorver a vitamina B12, necessária para ter sangue e nervos saudáveis e, como tal, preciso de levar injecções desta vitamina.

As dificuldades que tive e que ainda tenho, são na sua maioria temporárias. Tenho consciência que o bem ou mal que fizer (neste caso ingerir) serei eu própria a sofrer as consequências. A minha maior dificuldade é a tolerância ao leite e não posso (de todo) ingerir alimentos muito condimentados, especialmente alimentos com pimenta! Tento seguir uma alimentação baseada em cozidos e grelhados mas não evito de todo os assados, os fritos, os guisados, enfim, tudo! Porque tudo faz falta ao organismo. Nem sempre nem nunca e vou ter de me habituar a todo o tipo de alimentos. O segredo é mesmo a variedade e comer (sem falta) de 2 em 2 horas. Se não o fizer fico zonza e toda a tremer. Nem sempre dá jeito, mas é o meu novo modo de vida e é impensável não o fazer.

Comer devagar é outro cuidado que tenho de ter! Náuseas, diarreia e tonturas, depois de comer, são alguns dos sintomas que tenho quando os alimentos e os líquidos chegam ao intestino delgado muito depressa. É uma má disposição que só quero cama e sossego!

Só recentemente descobri o que é o síndrome de dumping tão falado em pessoas como eu, gastrectomizadas. Começa com (tipo) uma dor de estômago, má disposição, muito frio, tremores e vómitos. É horrível pois não consigo ter controlo sobre o meu próprio corpo. Alimentos que contenham grande quantidade de açúcar podem piorar estes sintomas.

Comer pequenas refeições, fraccionadas, durante o dia, evitar alimentos que contenham açúcar, e comer alimentos ricos em proteínas. Para poder reduzir a quantidade de fluidos que entram no intestino delgado, aconselha-se a não se ingerir líquidos durante as refeições o que para mim é bastante difícil pois é justamente nesta altura que tenho muita sede.

A minha vida neste momento é feita em função da minha alimentação. Tudo gira à volta dela. Todos os dias preparo o meu almoço, lanches (meio da manhã e  meio da tarde) e jantar. Todos os dias sou responsável por mim própria! Posso controlar tudo excepto a altura em que estou menstruada...

Vivo bem! Vivo um dia de cada vez e tento que seja o melhor possível. Nem sempre é fácil e muitas vezes desespero e choro (sou humana!) mas nestas alturas Deus dá-me pequenos sinais em que me mostra que tudo vale a pena, que a vida vale a pena.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

13



Foi o número da minha cama no hospital. Número de Nossa Senhora de Fátima. Número que interiorizei como o regresso a minha casa, à minha vida.

Durante o tempo que estive internada proibi as visitas no hospital. Proibi que me fossem ver. Não porque não gostasse de receber e de ver pessoas que gosto, mas porque não me sentia com forças para as receber. Tinha medo dos olhares, das reacções, dos diálogos...

Passei a maioria dos dias e noites com uma sonda enfiada que me fez perder muitas noites de sono, que me fez chorar muitas lágrimas e me fez desesperar (como nunca…). A sonda tinha uma rosca bem no meio da minha garganta, que me magoava e feria cada vez que falava ou me mexesse. Passei muito tempo sempre deitada na mesma posição, de barriga para cima, e depois de algum tempo já me doíam as costas e as pernas. Não podia mudar a posição do pescoço, ao mínimo movimento a sonda magoava mais e mais…

Um dia, a minha querida médica entrou no quarto e perguntou-me: “Andreia, está tudo bem?” devia estar com uma cara de desespero… Ao qual eu respondi quase a chorar:” Não! Estou no meu limite! Já não aguento mais esta sonda! Magoa-me muito! Por favor…”. Naquele mesmo instante, aproximou-se de mim e pediu-me para respirar bem fundo. Obedeci imediatamente e num instante senti a sonda a sair de dentro de mim. Que alívio! Que sensação de alívio! Que felicidade!

Restavam os drenos… não vou falar do episódio da retirada dos meus drenos porque estou a tentar apagar da minha memória a dor, a raiva, a revolta que senti nessa altura. Eu sempre disse que pior que a dor física é a dor da alma! Esta última custa muito, muito mais a cicatrizar! Chorei, gritei, berrei, perdi a noção de tudo! Hoje, depois de já tudo ter passado sinto que foi tudo uma GRANDE aprendizagem. 

Por vezes dou por mim a queixar-me de pequenas coisas que à vista do que já passei não são NADA! NADA mesmo! E não aguento ouvir as pessoas a queixarem-se, a dizerem palavrões, a revoltarem-se, a magoarem, a serem egoístas… Sinto-me sem paciência e intolerante.

O meu maior medo (por incrível que pareça) foi pensar que nunca mais iria conseguir levantar-me daquela cama. Sempre que tentava, a cabeça andava à roda, parecia que andava numa montanha russa… Tanto tempo deitada… Devagarinho, ia levantando a cabeceira da cama, cada vez mais e mais alta de modo a habituar-me.

Quando já me senti mais ou menos preparada pedi para me levarem a tomar banho na cadeira de rodas. Tão bom sentir a água em cima de mim. Uma vez ouvi dizer que: ”é durante o banho que podemos falar com o nosso anjo da guarda. É nesta altura que ele nos ouve…” E fui o que fiz durante o tempo do banho, de me terem lavado o cabelo 2 vezes… Que saudades…

Dia 11 de Março de 2010, a sua santidade o papa estava em Portugal e depois de pedir tanto a Deus, a Nossa Senhora de Fátima, aos meus anjinhos e sem estar à espera, tive alta! Podia finalmente ir para casa, para a minha casa…

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sinais e sentimentos…


Não sei o dia em que fui internada, nem sei o dia em que fui operada.

Relembro e recordo o dia em que fui internada, no carinho, na atenção que a minha querida médica me deu e como isso me fez sentir bem e em paz e como foi difícil deixar os meus pais e vê-los através dos vidros da porta que me levava até ao quarto onde iria ficar. No entanto e com o coração apertado despedi-me deles a sorrir com a certeza que tudo iria correr bem.

O meu anjinho acompanhou-me até ao quarto e despedir-me dele foi a parte mais difícil… muito mais difícil! Saber que iria ficar ali fechada, separada dele não sei por quanto tempo… As dúvidas e as perguntas pairavam na minha cabeça. Será que iria voltar a vê-lo? Será que iria esperar por mim? Já perdi tanto nesta vida… Iria perder o meu anjinho? Nessa altura senti uma dor e tristeza profunda e não consegui conter as lágrimas… Que saudades eu tinha de ti amor, que falta tu me fazias… Por ti e por mim tinha de ser forte! Pela minha vida tinha de conseguir e comecei a rezar…

Nessa altura entrou uma senhora no quarto que dirigiu-se a mim. Eu conhecia-a mas não sabia de onde, fazia um esforço tão grande para me lembrar… A senhora começou a fazer-me perguntas e eu respondia-lhe. Até que me lembrei! A D.ª Maria tinha realizado uma endoscopia alta antes de mim e era desse exame que me lembrava dela porque se tinha sentido mal e o marido foi chamado para a ir buscar à sala de exames. Tinha sido submetida a uma gastrectomia total (remoção total do estômago) pela Dr.ª Licínia à duas semanas atrás e estava a correr tudo bem.

Foi um sinal de Deus que me encheu de fé, esperança e alegria. Não era o primeiro sinal de Deus que recebia desde que comecei esta jornada e eram estes pequenos sinais que me garantiam, davam a certeza de que tudo iria correr bem.

Recordo de tudo na perfeição! A preparação para a cirurgia, a primeira noite, a entrada no bloco operatório, acordar na sala do recobro com a voz de um anjo, ver os meus pais e o meu anjinho quando fui para o quarto, quando acordei e tive a noção como estava… Não sentia dores nenhumas, apenas desconforto. Não me assustei com a sonda, com os drenos, com nada… Sentia-me calma, serena e o que mais desejava era ver os meus pais (os meus verdadeiros heróis) e o meu namorado (que tanto amo). Depois de os ver a entrar pela porta do quarto, o meu mundo voltou a iluminar e tudo fazia sentido (outra vez)! A vida fazia sentido!

Na primeira visita que me fizeram em primeiro entrou a minha mãe, depois o meu anjinho e por ultimo o meu pai… SEM BIGODE! Não me consegui conter e desatei a rir, os pontos da minha barriga iam rebentando todos. Lol! Estava o máximo e foi a maior surpresa que tive em toda a minha vida (a única e ultima vez que o meu pai cortou o bigode foi quando o Sporting foi campeão... já lá vai algum tempito…) ADOREI, AMEI! O meu pai rejuvenesceu, já lhe conseguia ver os lábios e o seu lindo sorriso e esse gesto deu-me tanta alegria… OBRIGADA PAI!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O meu destino


Depois de realizar duas endoscopias para confirmar o que se estava a passar com o meu estômago, fui chamada para falar com a minha médica hematologista. Foi uma manhã de nervos e ansiedade e uma tarde de irritação e stress! Epah porque é que não dizem logo as coisas como elas são e não se deixam de rodeios? É o que tem de ser e é! E eu digo e repito: “Prefiro uma dura realidade a uma grande mentira!”. Neste caso ninguém me mentiu mas também não me disseram logo tudo, não me abriram o “jogo” até esta consulta…

Tinha um tumor no estômago e este órgão tinha de ser retirado na totalidade! Não se punha a possibilidade de retirar só uma parte porque todo ele estava doente, danificado. Na minha cabeça só ouvia “Tirem! Tirem!”. Se isso significava viver, retirem o que for necessário. E assim foi!

Fui transferida para a cirurgia e apresentada à minha querida médica, Dr.ª Licínia. Desde o primeiro momento que a vi, adorei-a e isso fez toda a diferença! A sua calma, a sua segurança, a sua simpatia, a sua humildade fez-me NUNCA ter medo, nem receio de NADA! Desde a notícia até à realização da cirurgia, fui a algumas consultas ao hospital e fiz alguns exames necessários para a realização da mesma. A data da cirurgia foi-me comunicada com pouco tempo de antecedência uma vez que o meu caso teve de ser falado e discutido entre médicos. E por mim a data era indiferente! Já estava mais que preparada!

As únicas pessoas que souberam a data da realização da mesma foram os meus pais e o meu anjinho porque sempre me acompanharam em tudo e não havia maneira de não saberem. Mas se me dessem a escolher e se fosse eu que mandasse ninguém saberia! Não imagino a angústia, o desespero, os nervos, o stress que passaram enquanto estive adormecida naquela sala de operações. Não consigo e não quero imaginar o sofrimento dos que me mais amam naquela altura. Não suporto sequer imaginar.

Não interessava a data, o dia, a hora! Interessava sim, o final. Saber que tudo tinha corrido bem e que eu estava bem! Isso era o mais importante!

Sempre me preocupei tanto com os outros e com os sentimentos dos outros que me esqueci de mim própria neste processo todo. Para os meus pais foi um horror! Olhar para a cara deles era ver o desalento, a tristeza, a desilusão, a revolta… Depois foi dar a “terrível” notícia aos meus avós… Essa missão ficou para os meus pais, mas depois coube-me a mim ligar-lhes (uma vez que estava a ter uns fantásticos dias no Norte do país) a dar-lhes força e coragem.

Pois… era eu que as precisava de ouvir naquela altura e então fiz das minhas palavras, as palavras para mim própria… Estranho, não é? Criei o meu mundo e não deixei que nada, nem ninguém entrassem nele com dramas, choros e cenas lamentáveis! Eu não sou nenhuma coitada! Eu não sou nenhuma vítima! Eu sou uma SOBREVIVENTE!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O inevitável!


Os restantes meses corriam da melhor maneira possível. Sentia-me feliz, mas angustiada com a minha saúde. Um dia quando saia do trabalho disse à minha coordenadora “sinto como se tivesse uma bomba relógio dentro de mim”. Era assim que sentia em relação ao meu estômago, à minha saúde. Por muito cuidado que tivesse com a minha alimentação, em fazer exercício físico, yoga, tratamentos de CND e também com a minha vida sentimental resolvida, bem resolvida, eu sabia e sentia que não ia ficar por aqui. Não me perguntem como, mas eu sabia… sentia.

O meu anjinho tem uma licenciatura em saúde e desde que entrou na minha vida acompanhou-me sempre nos exames (endoscopias) e consultas e ajudou-me bastante a perceber e compreender mais o meu corpo. Quando realizava endoscopias as notícias nunca eram muito animadoras: estômago deformado com muitas cicatrizes… devido aos intensos tratamentos de quimio e radio o meu estômago ficou num estado lastimável, mas sobrevivia.

Em Março de 2010 depois de fazer uma endoscopia alta e de me terem retirado várias amostras para biopsia, ligaram-me dias depois para repetir o exame. No dia em que recebi o telefonema estava com a minha prima (autora dos sonhos) no hospital de Leiria no “II Colóquio de Enfermagem no Hospital Santo André (Leiria)” onde a minha primaça linda fez um testemunho real e impressionante do que passou com a perda e partida da sua princesa, do seu bebé que agora é uma estrelinha, um anjinho. O testemunho teve como objectivo alertar os profissionais de saúde a serem mais cuidadosos e humildes na maneira como tratam e lidam com os doentes. 

Foi um dia muito especial para as duas. Naquele dia ambas tivemos de lidar com realidades bem duras e distintas da nossa vida que nos fizeram sofrer bastante, mas que nos fortaleceram enquanto mulheres e seres humanos. Era algo que estava destinado! A minha prima falar do que lhe ia na alma e elevar o espírito e a memória do seu anjinho e eu ter a confirmação do que já me estava destinado acontecer desde que a doença me apareceu.

Dias mais tarde, fui ao hospital fazer mais uma endoscopia para ver o que era afinal a coloração anormal que me tinha aparecido no meu estômago e confirmava-se! Um tumor no estômago! O cansaço exagerado e as más disposições já tinham uma razão de existir!

Não havia nada a fazer! Arregaçar as mangas mais uma vez e ir à luta sem dramas, sem desilusões, sem lágrimas, sem muitas questões.

“Era o que tinha de ser!” e eu mais uma vez tinha o apoio incondicional dos meus pais, da minha família, dos meus amigos e desta vez reforçada com o amor, o amor, a compreensão e o companheirismo do meu anjinho.

Qual seria o meu destino?




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

SURPRESA - Green Day


(o meu mano, o meu anjinho e eu - Alavarito e Rosemary tenham calma que eu estive a àgua!! O copo era só para enganar!!)

Em Setembro de 2009, durante uma sessão de cinema fui presenteada com um bilhete para ir assistir a um concerto no pavilhão Atlântico pelo meu mano e o meu anjinho. Preocupada ainda com a gripe A e outras constipações e outras doenças mais…, os meus meninos tiveram o cuidado de comprar bilhetes no 1.º balcão de maneira a estar o mais afastada e protegida possível.

Numa segunda-feira, tirei a tarde de férias para ir para o Parque das Nações em Lisboa onde ia decorrer o concerto. O meu primeiro grande concerto!! Estava tão excitada que nem cabia em mim de contente. Foi tão bom…

Fomos mais cedo e jantámos no Centro Vasco da Gama, mandei sms ao meu primo Pedro para nos encontrarmos e revi a minha prima Bruna. Ainda encontrámos algumas pessoas amigas aqui da zona que tal como nós se deslocaram a Lisboa para assistir ao concerto. O tempo estava óptimo, a companhia magnífica e eu sentia-me outra pessoa.


(o meu mano e eu)

Os meus sentimentos durante o concerto foram diversos e variados… Sentia-me muito feliz e alegre por estar ali e agradecia a Deus por aquele pequeno grande momento. Também me sentia emocionada e comovida por ver o meu mano e o meu namorado tão bem e felizes e por ver aquela multidão de pessoas todas unidas a cantar as mesmas músicas, a dançarem… Não sei explicar, não consigo…

Foi muito bom e vários foram os momentos em que dei por mim a chorar durante o concerto e a agradecer por aquele momento…

Foi uma GRANDE e inesquecível surpresa! Obrigada!


                                                                        (o meu anjinho e eu)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma Decisão MUITO Feliz

Depois que regressei do Algarve vivi dias e momentos muito felizes ainda que distante (fisicamente) do meu anjinho. Sentia-me tão bem e tão feliz!

A minha vida decorria normalmente, com todos os cuidados com a minha alimentação (rica em ferro, legumes e fruta), cuidado com o meu corpo (fazia ginástica 2 vezes por semana no Outeiro da Fonte e ainda fazia caminhadas e andava de bicicleta com a minha estrelinha. Era fantástico!) e as consultas de rotina e exames (endoscopias) no Hospital.

Nesta altura tive consultas de ginecologia porque era importante e porque numa TAC viram qualquer coisa esquisita nos ovários. Não passou tudo de um susto! E claro, consultas no dentista devido ao aparecimento de uma infecção num dente o qual teve de ser extraído… mazelas dos vários tratamentos…

A minha cabeça não estava virada para a minha saúde! Que chatice sempre a falar do mesmo! Agora estava na altura de me dar uma oportunidade (a oportunidade merecida) de ser Feliz e de pensar em mim. Ainda que não conseguisse pelo menos tentava. (É para isso que serve a vida, né?)

Só o consegui com a ajuda do meu irmão, primas e amigas. Não queria sofrer novamente, mas tinha de me dar essa chance.

Durante algum tempo reservei só para mim esta relação, este meu “segredo”. Era um direito que eu tinha! E tenho! Direito à minha privacidade, direito a ter as minhas opiniões e atitudes (somente minhas), direito a ter o meu lugar, o meu espaço, direito a ter pessoas na minha vida e não as partilhar, direito a ter os meus segredos, direito a mim e à minha vida. Foi o melhor que fiz e não me arrependo de nada! Se não desse certo não tinha de sofrer ainda mais a ouvir constantemente “eu bem te avisei” ou “devias de ter tido mais cuidado” ou ainda “tu não sabias como ele era?”.

Arrisquei TUDO e arriscaria TUDO outra vez pelo meu anjinho porque desde o primeiro dia que nos conhecemos que me demonstra e prova o que sente por mim e eu sinto que é verdadeiro e real!

Para cada um de nós, existe alguma pessoa especial” do livro Só o Amor é Real de Brian Weiss, um livro magnífico e surpreendente que aconselho vivamente a lerem.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

E um anjo desceu dos céus…

Não tinha férias marcadas! O meu objectivo era passar o Verão (mês de Agosto) todo a trabalhar de maneira a ele passar bem depressa sem eu dar por nada.

Recebi um convite da minha prima para passar uma semana no Algarve, o qual neguei imediatamente. É que nem pensar ir para um local onde abundava o calor, areia, mar, em pleno mês de Agosto… todas as coisas que eu amo e não podia ter. Era uma tortura e ficava pior do que estava. NÃO!

A minha prima insistiu… Ficávamos num apartamento com piscina, num sítio calmo, ideal para descansar e mais (muito mais) importante... saía daqui, apanhava outros ares, via outras pessoas, outros locais… NÃO!

O que me fez mudar de ideias foi o facto de poder passar mais tempo com as minhas primas, o meu irmão ir comigo e sair daqui ainda que fosse por uma semana. E fomos! Ainda me lembro do nervoso miudinho na barriga, de fazer a lista de coisas para levar e as malas. Que máximo!


Antes de ir fui a uma livraria comprar um livro para me entreter, afinal ia passar tanto tempo livre fechada em casa… Escolhi o livro (ou melhor, o livro escolheu-me) “Vai Valer a Pena”, do psicólogo Joaquim Quintino Aires. O livro conta a história real de 9 mulheres, em diferentes momentos das suas relações que abriram o coração: 3 que sofrem em silêncio, 3 que decidiram libertar-se de relações dolorosas, 3 que encontraram a felicidade depois da separação. Ao relatar as suas histórias, o psicólogo conta uma história bem maior: a do sofrimento e a da esperança do amor… porque começar de novo, “Vai Valer a Pena”. “Será?” Era a pergunta que me fazia, querendo acreditar que sim! “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.


O local era fantástico, a companhia perfeita e o livro o mais adequado para mim (naquela altura que tinha o coração desfeito). Estava fechada para o amor, não queria saber de ninguém e não queria que ninguém soubesse de mim. Queria estar só, ficar só e ser feliz na solidão, mas ter uma vida de verdade, na verdade e na paz. Não pedia mais nada!

Durante o tempo que estive em Portimão passei a maior parte do tempo a dormir, a ler e só a partir das 17h ia até à piscina. Foi uma verdadeira terapia!

No 1.º dia que chegámos a Portimão agendámos desde logo o dia para irmos ao Sasha Summer Sessions e assim foi! Dormi o dia todo e estava super preparada e mentalizada, mas quando chegou a hora… não me apetecia, estava cansada, doía-me a barriga e tinha sono. As minhas primas e o meu irmão insistiram tanto que não tive coragem para desistir. E fui!

Nessa noite conheci um anjinho que me salvou e devolveu-me a alegria de viver, fez-me voltar a acreditar no verdadeiro amor, nos verdadeiros sentimentos, na sinceridade, na verdade, na entrega total, em sentimentos puros, fez-me voltar a rir e a sorrir, trouxe-me a felicidade plena e a confiança num futuro muito, mas muito melhor…


"Todos nós precisamos de uma relação, pois ninguém é feliz sozinho. E nessa relação precisamos de admirar e sentir desejo pelo outro, mas também precisamos de sentir que o outro nos admira e deseja com a mesma intensidade." Quintino Aires

domingo, 14 de novembro de 2010

Um sinal de esperança!


Verão de 2009! Eu e a minha família estávamos a “ressacar” da doença e de todos os acontecimentos que surgiram durante e após a mesma. A “sombra” da possibilidade da doença voltar era uma constante e por muito esforço que se fizesse, numa conversa, num desabafo, essa possibilidade era sempre relembrada e eu toda termia (e tremo!).

A realidade é que houve um sofrimento muito grande, quer da minha parte, quer da parte da minha família. Cada um tinha uma maneira de se manifestar diferente. Eu sofri na própria pele a doença, mas sinceramente durante todo o processo do diagnóstico, consultas e tratamentos até reagi bem (ou tentava). O pior para mim era o depois… Sentia-me triste, esgotada, desorientada, mal.

Para “libertar” a mente e o espírito, para aliviar todo o sofrimento e restabelecer as minhas forças que estavam a descer a um ritmo alucinante, frequentava as aulas de yoga mas não era o suficiente. Um dia, ao ver-me tão “em baixo” a minha tia Cilita falou-me nas consultas de CND – Computer Normality Diagnostic que se realizavam na Holiclínica em Leiria. Dirigi-me até lá para obter informações e para realizar um primeiro check-up.

O CND consiste numa máquina de alta tecnologia que faz a leitura electromagnética de todo o corpo humano comparando-o com uma base de dados onde são ligados a sensores que são colocados na testa, pulsos e tornozelos. Avalia-se a reactividade para se proceder a diversas terapias de correcção e estimulação da capacidade auto-curativa do corpo. Esta tecnologia é totalmente indolor e não é invasiva. O CND analisa todos estes factores e efectua um diagnóstico abrangente e não apenas de uma situação em particular. Por vezes a dor aparece num local e a origem do problema é noutro bem distinto. Com o CND poderá detectar se a sua doença é "real" ou causada apenas por uma questão alérgica, ou emocional/mental.

No primeiro check-up que efectuei na Holiclínica conheci a Dr.ª Raquel, profissional que efectuou e acompanhou todos os meus tratamentos e reavaliações. Cada tratamento durava cerca de 2 horas e consistia em eliminar e corrigir desequilíbrios agudos detectados. Eu não notava pelo tempo a passar durante os tratamentos, durante esse tempo exteriorizei tudo o que pensava, tudo o que sentia e no final sentia-me muito bem, muito leve. Sentia-me segura e certa do desaparecimento total da minha doença, a minha confiança e segurança em mim enquanto pessoa, ser humano iam aumentando muito lentamente.

A máquina CND dava-me as “armas/ferramentas” para me reerguer. Nada se esquece, nada se apaga, mas aprendi que tudo é uma aprendizagem, uma passagem e que há várias formas de lidarmos com as situações, os sentimentos, os pensamentos... Posso afirmar que comecei a ver tudo de uma forma mais clara e a ver uma “luz ao fundo do túnel”.

Foi muito bom e pretendo repetir!

domingo, 7 de novembro de 2010

Mais 1 Ano de Vida!

Com o coração destroçado pela partida de tantos companheiros de luta, especialmente a partida da minha Diana e cansada de sentir tanto sofrimento e dor, decidi comemorar o meu aniversário na companhia de familiares e amigos.

Afinal, se vivemos, se estamos vivos é para celebrar cada dia que passamos aqui neste mundo que é o nosso e o único que temos. Assim como a vida!

Com todos os acontecimentos que têm surgido na minha vida chateia-me o facto de a vida passar ao lado de tanta gente que conheço e amo! Parecemos uns zombies e deixamos que o melhor que a vida nos dá passe-nos ao lado, despercebido.

Nos dias de hoje valoriza-se muito as doenças, as desgraças, alimenta-se o ódio, a revolta, a tristeza e sentimentos que nos fazem mal à saúde e deixam-nos deprimidos.

O facto de estarmos vivos e de boa saúde e de não estarmos sozinhos neste mundo é motivo mais que suficiente para vermos a vida com bons olhos.

Claro que não é tudo um mar de rosas e nunca poderia ser porque o ser humano é um eterno insatisfeito. Nunca está 100% bem para ele, para nós. E contra mim falo! Não sou perfeita!

Nunca me fiz de coitadinha, nunca me queixei com dores sem motivo e sempre vivi insatisfeita com tudo e com todos. Acho que sempre exigi demasiado da vida e principalmente dos outros e foi aí que surgiram as grandes desilusões na minha vida. Por isso penso e digo que Deus colocou esta doença na minha vida para me “abanar”, fazer “tremer” de modo a dar valor ao que realmente importa e a quem realmente é importante. E eu aprendi! E muito! E continuo a aprender e espero que quem faça parte do meu mundo aprenda também que a vida é muito, muito mais! É tudo aquilo que quisermos que ela nos dê e só depende de nós próprios! Acabem com as queixas, as lamurias

, as desculpas, com os palavrões, com a revolta, com a má disposição, com a mania das doenças, com a embirração, com tudo o que traz infelicidade a vocês e a quem vos rodeia. Confesso que me tornei um pouco egoísta com a situação da minha doença. Por mim, pelo meu bem-estar, pela minha saúde sou egoísta! Mas o meu egoísmo não prejudica os outros! Simplesmente quero e exijo ter o meu espaço e ter na minha posse as rédeas da minha vida! Decisões boas e más todos nós tomamos, experiências boas e más todos nós temos e as consequências das mesmas somos nós que sofremos e aprendemos ou não!

Pela minha vida, pela vida dos meus companheiros de luta que partiram, por tudo aquilo em que acredito festejei o meu aniversário num momento muito difícil da minha vida para mostrar a todos que tudo se faz, tudo passa e ultrapassa com fé, amor, esperança, saudade e respeito.

Em Julho de 2009, reuni alguns familiares e amigos para festejar mais um aninho de vida e também o fim dos meus tratamentos, comemorei o fim daquela que considerava a fase mais “negra” da minha vida. Gostaria de ter reunido um maior número de pessoas que também são muito importantes para mim, mas não me foi possível. As minhas sinceras desculpas.

Foi bom! Foi muito bom e muito importante para mim aquele momento.


     (as pessoas que mais amo: mano - Pedro, mãe - Rosemary e pai - o meu Alvarito - aqui ainda tinha bigode...)

E como a vida é muito curta, deixo-vos aqui frases de dois grandes senhores que infelizmente já partiram e que muito me ensinaram e ensinam:

Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento e agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer...” António Feio

E POR FAVOR "Façam o favor de ser felizes…." Raul Solnado

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A terrível notícia e o início de uma depressão

Regressei da Holanda com o espírito renovado e certa que daqui para a frente a minha vida ia melhorar e muito. A doença estava tratada e era um assunto encerrado, o namoro que me fazia sofrer estava terminado, o meu trabalho estava a andar a bom ritmo… a minha vida estava a voltar ao que considerava “normal” depois de tudo por que tinha passado.

O meu regresso da Holanda representava uma nova página na minha vida, uma viragem! Vinha mais confiante em mim própria e mais “crescida”. Daqui para a frente acreditava que tudo o que viesse pela frente era tudo BOM, ÓPTIMO, MARAVILHOSO, ESPANTOSO, MAGNÍFICO, … mas Deus assim não o entendeu.

Deus decidiu colocar na minha vida mais uma prova de fogo! No mesmo dia que regressei da Holanda, os meus pais deram-me a pior das piores notícias da minha vida! A notícia que ia arruinar, destruir todas as minhas crenças, abalar toda a minha fé, confiança, coragem e amor… Perdi a Diana, a pérola da minha vida na viagem que tinha como objectivo mudar a minha vida. E se mudou…

O meu coração parou naquele momento, deixei de pensar, o meu mundo “abanou” e eu não conseguia aguentar-me nele de pé, não sem a Diana. Em pouco tempo construímos uma verdadeira relação de amizade e carinho, de amor e partilha. Nela e em mim depositava toda a minha fé e confiança. Acreditava vivamente, com todo o meu ser que seríamos umas SOBREVIVENTES e que hoje estaríamos as duas juntas para contar a vitória da nossa dura luta contra uma doença chamada CANCRO que nos obrigou a fazer uma “pausa” nas nossas vidas. Esta doença entrou nas nossas vidas sem pedir autorização e com ela para além da tristeza, da dor, da angústia fez-nos conhecer sentimentos puros, genuínos e verdadeiros e trouxe ao de cima o melhor de nós enquanto pessoas (felizmente).

 Tantas perdas meu Deus… Já perdi tanto na minha vida… Tantas pessoas que amei (e amo) e que partiram sem poder me despedir e dizer o quanto as amo e foram (e são) importantes para mim…

Depois de saber a notícia senti-me tão mal que nem consigo descrever aqui em palavras como me senti… a vida tinha deixado de fazer sentido. Nada nem ninguém fazia sentido. Nada nem ninguém me fazia apaziguar a dor que sentia dentro de mim. As lágrimas surgiam-me sem que eu as conseguisse conter. A imagem da Diana estava sempre dentro de mim, da minha cabeça. Não conseguia acreditar que a Diana já não estava aqui, junto de mim e das pessoas que amava, que já não fazia parte deste mundo.

 O que me fazia sentir melhor e reconfortava era acreditar que ela enquanto anjinho estava ali do meu lado e falava com ela… sem respostas… sem o riso dela… sem a poder ver nem tocar…

Precisava de ajuda! A tristeza invadia-me. Precisava de alguém com quem falar e desabafar, alguém em quem bater, gritar. A revolta era muita! Tanta!

É muito duro viver com a saudade permanente de alguém. Nós aprendemos a viver com a saudade mas a dor da perda nunca é superada!

A Diana desde que partiu tem-me dado sinais que está comigo. Foi ela que me fez voltar a acreditar em Deus, nas pessoas, no amor verdadeiro, na cura, na vida. É por ela e por tudo o que ela representa para mim que me ergo todas as vezes que caio. Que enfrento todas as situações menos boas que a vida me apresenta, cada desafio. Foi isso que ela me ensinou e que aprendi com ela: a nunca desistir de mim, dos meus sonhos, das minhas convicções, do meu verdadeiro ser, da minha vida!

A ti Diana, à vida e à alegria de viver! Obrigada por fazeres parte da história da minha vida e do meu coração. Por ti amiga…

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

HOLANDA – O MEU GRITO DE LIBERDADE!

Com a minha vida a andar a bom ritmo, tive o convite da Dayse para a acompanhar numa viagem à Holanda para visitar uma amiga.

É escusado dizer que fiquei logo super entusiasmada e a minha resposta foi positiva! Claro que sim! A minha decisão não foi consensual e gerou alguma polémica em casa dos meus pais devido à “palhaçada” da Gripe A. Nesta altura, era o tema principal e muito sinceramente já me cansava sempre a mesma conversa. A minha vida tinha obrigatoriamente de parar devido a esta pandemia e relativamente a este assunto não existia o bom senso.

Tomei a vacina por aconselhamento médico.

Em Junho de 2009, parti para a Holanda sem o conhecimento e autorização da minha médica. Ficámos em Amesterdão e foi uma semana fantástica! Quando cheguei ao aeroporto de Lisboa fiquei incrédula com a quantidade de avisos e indicações sobre a Gripe A. Nada me demovia a voltar atrás, naquele momento meti a minha vida nas mãos de Deus!


                                               (Eu e a Dayse no aeroporto de Lisboa)

Fizemos escala em Madrid onde passámos lá umas horitas bastante divertidas. Depois apanhámos o avião até Amesterdão e… que sensação… Aqui tive a prova viva que ADORO, AMO andar nas nuvens. Lol

Só eu é que falava inglês, ou melhor, uma espécie de inglês e precisava que me dessem todas as indicações até chegar ao destino. Tivemos de apanhar o comboio, metro, autocarro…

A nossa estadia consistia em ver e visitar tudo quanto nos fosse possível e assim foi: começámos por fazer um bonito passeio de barco pelos canais para conhecermos a cidade, visitámos o Museu do Sexo, a Casa de Anne Frank (impressionante!), Madame Tussaud, Museu Van Gogh, Red Light District, coffee shops, e Royal Palace.

Foi uma semana muito intensa e muito divertida. Aproveitei cada momento!

Fiquei encantada com a beleza daquela cidade, a fachada das casas, o respeito, a ordem e a liberdade. Os seus habitantes eram de “cortar o fôlego” com tanta beleza, quer rapazes quer raparigas (as minhas atenções estavam mais viradas para os rapazes, claro!). A quantidade extraordinária de bicicletas naquela cidade… deixou-me estupefacta. Os jardins, as flores, as casas-barco na margem dos canais … Era o meu sonho viver num daqueles barcos...


                                  (A "minha" casa-barco em Amesterdão. PS=Aluga-se! :D)

A quantidade de sex shops, de coffe shops era algo nunca antes visto. Só de passar em frente à porta ficava com a "moca". Hihihihihihi Ainda pensei experimentar um space cake mas... na... fiquei-me só mesmo pelo cheiro.

Quando saímos à noite para conhecer a Red Light District, fiquei encantada com a postura das pessoas que por ali andavam. Não se viam cenas, pessoas malcriadas, faltas de respeito, tudo parecia ser muito normal. E era! As meninas dançavam dentro de montras muito bem arranjadas sob uma luz vermelha e era possível ver as “instalações (quarto) onde prestavam o serviço por trás delas.

A nossa estadia estava a chegar ao fim e cada vez mais tinha a certeza que tinha tomado a atitude mais correcta ao aceitar fazer esta viagem. Não deixei que o medo me dominasse. Afinal, o nosso destino já está traçado e o que tiver de acontecer, acontece!

Nos últimos dias da minha viagem recebi muitas mensagens de familiares, amigos e de algumas pessoas que eu já tinha afastado da minha vida a perguntarem-me como é que eu estava e se estava tudo bem… Achei estranho… mas fiquei contente por se lembrarem de mim e preocuparem-se comigo.

O tempo passava muito rápido e eu sentia-me esquisita, facto que associei ao cansaço e à tristeza de ter de regressar e “voltar ao mundo real”.

Foi muito bom sentir-me LIVRE! Esta viagem fez-me esquecer tudo o que já tinha passado e deu-me forças e coragem para continuar a viver, acreditando mais em mim e sendo uma pessoa mais independente (sem medos e receios). A minha fé também aumentou muito.

Uma viagem para repetir sem dúvida!