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terça-feira, 2 de novembro de 2010

A terrível notícia e o início de uma depressão

Regressei da Holanda com o espírito renovado e certa que daqui para a frente a minha vida ia melhorar e muito. A doença estava tratada e era um assunto encerrado, o namoro que me fazia sofrer estava terminado, o meu trabalho estava a andar a bom ritmo… a minha vida estava a voltar ao que considerava “normal” depois de tudo por que tinha passado.

O meu regresso da Holanda representava uma nova página na minha vida, uma viragem! Vinha mais confiante em mim própria e mais “crescida”. Daqui para a frente acreditava que tudo o que viesse pela frente era tudo BOM, ÓPTIMO, MARAVILHOSO, ESPANTOSO, MAGNÍFICO, … mas Deus assim não o entendeu.

Deus decidiu colocar na minha vida mais uma prova de fogo! No mesmo dia que regressei da Holanda, os meus pais deram-me a pior das piores notícias da minha vida! A notícia que ia arruinar, destruir todas as minhas crenças, abalar toda a minha fé, confiança, coragem e amor… Perdi a Diana, a pérola da minha vida na viagem que tinha como objectivo mudar a minha vida. E se mudou…

O meu coração parou naquele momento, deixei de pensar, o meu mundo “abanou” e eu não conseguia aguentar-me nele de pé, não sem a Diana. Em pouco tempo construímos uma verdadeira relação de amizade e carinho, de amor e partilha. Nela e em mim depositava toda a minha fé e confiança. Acreditava vivamente, com todo o meu ser que seríamos umas SOBREVIVENTES e que hoje estaríamos as duas juntas para contar a vitória da nossa dura luta contra uma doença chamada CANCRO que nos obrigou a fazer uma “pausa” nas nossas vidas. Esta doença entrou nas nossas vidas sem pedir autorização e com ela para além da tristeza, da dor, da angústia fez-nos conhecer sentimentos puros, genuínos e verdadeiros e trouxe ao de cima o melhor de nós enquanto pessoas (felizmente).

 Tantas perdas meu Deus… Já perdi tanto na minha vida… Tantas pessoas que amei (e amo) e que partiram sem poder me despedir e dizer o quanto as amo e foram (e são) importantes para mim…

Depois de saber a notícia senti-me tão mal que nem consigo descrever aqui em palavras como me senti… a vida tinha deixado de fazer sentido. Nada nem ninguém fazia sentido. Nada nem ninguém me fazia apaziguar a dor que sentia dentro de mim. As lágrimas surgiam-me sem que eu as conseguisse conter. A imagem da Diana estava sempre dentro de mim, da minha cabeça. Não conseguia acreditar que a Diana já não estava aqui, junto de mim e das pessoas que amava, que já não fazia parte deste mundo.

 O que me fazia sentir melhor e reconfortava era acreditar que ela enquanto anjinho estava ali do meu lado e falava com ela… sem respostas… sem o riso dela… sem a poder ver nem tocar…

Precisava de ajuda! A tristeza invadia-me. Precisava de alguém com quem falar e desabafar, alguém em quem bater, gritar. A revolta era muita! Tanta!

É muito duro viver com a saudade permanente de alguém. Nós aprendemos a viver com a saudade mas a dor da perda nunca é superada!

A Diana desde que partiu tem-me dado sinais que está comigo. Foi ela que me fez voltar a acreditar em Deus, nas pessoas, no amor verdadeiro, na cura, na vida. É por ela e por tudo o que ela representa para mim que me ergo todas as vezes que caio. Que enfrento todas as situações menos boas que a vida me apresenta, cada desafio. Foi isso que ela me ensinou e que aprendi com ela: a nunca desistir de mim, dos meus sonhos, das minhas convicções, do meu verdadeiro ser, da minha vida!

A ti Diana, à vida e à alegria de viver! Obrigada por fazeres parte da história da minha vida e do meu coração. Por ti amiga…