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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O inevitável!


Os restantes meses corriam da melhor maneira possível. Sentia-me feliz, mas angustiada com a minha saúde. Um dia quando saia do trabalho disse à minha coordenadora “sinto como se tivesse uma bomba relógio dentro de mim”. Era assim que sentia em relação ao meu estômago, à minha saúde. Por muito cuidado que tivesse com a minha alimentação, em fazer exercício físico, yoga, tratamentos de CND e também com a minha vida sentimental resolvida, bem resolvida, eu sabia e sentia que não ia ficar por aqui. Não me perguntem como, mas eu sabia… sentia.

O meu anjinho tem uma licenciatura em saúde e desde que entrou na minha vida acompanhou-me sempre nos exames (endoscopias) e consultas e ajudou-me bastante a perceber e compreender mais o meu corpo. Quando realizava endoscopias as notícias nunca eram muito animadoras: estômago deformado com muitas cicatrizes… devido aos intensos tratamentos de quimio e radio o meu estômago ficou num estado lastimável, mas sobrevivia.

Em Março de 2010 depois de fazer uma endoscopia alta e de me terem retirado várias amostras para biopsia, ligaram-me dias depois para repetir o exame. No dia em que recebi o telefonema estava com a minha prima (autora dos sonhos) no hospital de Leiria no “II Colóquio de Enfermagem no Hospital Santo André (Leiria)” onde a minha primaça linda fez um testemunho real e impressionante do que passou com a perda e partida da sua princesa, do seu bebé que agora é uma estrelinha, um anjinho. O testemunho teve como objectivo alertar os profissionais de saúde a serem mais cuidadosos e humildes na maneira como tratam e lidam com os doentes. 

Foi um dia muito especial para as duas. Naquele dia ambas tivemos de lidar com realidades bem duras e distintas da nossa vida que nos fizeram sofrer bastante, mas que nos fortaleceram enquanto mulheres e seres humanos. Era algo que estava destinado! A minha prima falar do que lhe ia na alma e elevar o espírito e a memória do seu anjinho e eu ter a confirmação do que já me estava destinado acontecer desde que a doença me apareceu.

Dias mais tarde, fui ao hospital fazer mais uma endoscopia para ver o que era afinal a coloração anormal que me tinha aparecido no meu estômago e confirmava-se! Um tumor no estômago! O cansaço exagerado e as más disposições já tinham uma razão de existir!

Não havia nada a fazer! Arregaçar as mangas mais uma vez e ir à luta sem dramas, sem desilusões, sem lágrimas, sem muitas questões.

“Era o que tinha de ser!” e eu mais uma vez tinha o apoio incondicional dos meus pais, da minha família, dos meus amigos e desta vez reforçada com o amor, o amor, a compreensão e o companheirismo do meu anjinho.

Qual seria o meu destino?




segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O inevitável!

Andava toda feliz e contente porque o cabelo permanecia na minha cabeça. Hihihihihihi Provavelmente já não me iria cair. Caía a todas as pessoas que faziam tratamento de quimio, mas eu… eu era diferente! A mim o cabelo não ia cair. Lol

11 de Março de 2008 acordei e a minha almofada metia MEDO!! CAREDO tanto cabelo. O meu cabelo estava completamento solto da raiz e a primeira coisa que fiz foi sacudir a almofada e tomar um banho URGENTE!! Era inevitável! Tinha de cortar mais uma vez o meu cabelo desta vez mais curtinho! Ver cabelo assim a cair é que nem pensar!

Era cabelo na cama, era cabelo na roupa, era cabelo no prato da comida, … AHHHHHHHH!!!!

15 de Março, já não aguentava ver o meu cabelo a “soltar-se” e pela primeira vez decidi por um dos meus lenços. Lembro-me que os meus tios de Lisboa estavam cá e foram almoçar lá casa com a minha avó e senti-me bem.

Os lenços passariam a ser a minha imagem de marca! Para cada toilette, usava um lenço… Era mesmo vaidosa e gostava. Obriguei-me a gostar de mim a ser diferente!

Recebi tantos lenços e tão lindos. O meu muito obrigada!

“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver” Mahatma Gandhi