
Não sei o dia em que fui internada, nem sei o dia em que fui operada.
Relembro e recordo o dia em que fui internada, no carinho, na atenção que a minha querida médica me deu e como isso me fez sentir bem e em paz e como foi difícil deixar os meus pais e vê-los através dos vidros da porta que me levava até ao quarto onde iria ficar. No entanto e com o coração apertado despedi-me deles a sorrir com a certeza que tudo iria correr bem.
O meu anjinho acompanhou-me até ao quarto e despedir-me dele foi a parte mais difícil… muito mais difícil! Saber que iria ficar ali fechada, separada dele não sei por quanto tempo… As dúvidas e as perguntas pairavam na minha cabeça. Será que iria voltar a vê-lo? Será que iria esperar por mim? Já perdi tanto nesta vida… Iria perder o meu anjinho? Nessa altura senti uma dor e tristeza profunda e não consegui conter as lágrimas… Que saudades eu tinha de ti amor, que falta tu me fazias… Por ti e por mim tinha de ser forte! Pela minha vida tinha de conseguir e comecei a rezar…
Nessa altura entrou uma senhora no quarto que dirigiu-se a mim. Eu conhecia-a mas não sabia de onde, fazia um esforço tão grande para me lembrar… A senhora começou a fazer-me perguntas e eu respondia-lhe. Até que me lembrei! A D.ª Maria tinha realizado uma endoscopia alta antes de mim e era desse exame que me lembrava dela porque se tinha sentido mal e o marido foi chamado para a ir buscar à sala de exames. Tinha sido submetida a uma gastrectomia total (remoção total do estômago) pela Dr.ª Licínia à duas semanas atrás e estava a correr tudo bem.
Foi um sinal de Deus que me encheu de fé, esperança e alegria. Não era o primeiro sinal de Deus que recebia desde que comecei esta jornada e eram estes pequenos sinais que me garantiam, davam a certeza de que tudo iria correr bem.
Recordo de tudo na perfeição! A preparação para a cirurgia, a primeira noite, a entrada no bloco operatório, acordar na sala do recobro com a voz de um anjo, ver os meus pais e o meu anjinho quando fui para o quarto, quando acordei e tive a noção como estava… Não sentia dores nenhumas, apenas desconforto. Não me assustei com a sonda, com os drenos, com nada… Sentia-me calma, serena e o que mais desejava era ver os meus pais (os meus verdadeiros heróis) e o meu namorado (que tanto amo). Depois de os ver a entrar pela porta do quarto, o meu mundo voltou a iluminar e tudo fazia sentido (outra vez)! A vida fazia sentido!
Na primeira visita que me fizeram em primeiro entrou a minha mãe, depois o meu anjinho e por ultimo o meu pai… SEM BIGODE! Não me consegui conter e desatei a rir, os pontos da minha barriga iam rebentando todos. Lol! Estava o máximo e foi a maior surpresa que tive em toda a minha vida (a única e ultima vez que o meu pai cortou o bigode foi quando o Sporting foi campeão... já lá vai algum tempito…) ADOREI, AMEI! O meu pai rejuvenesceu, já lhe conseguia ver os lábios e o seu lindo sorriso e esse gesto deu-me tanta alegria… OBRIGADA PAI!