quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O meu Carnaval 2009

Com o fim dos tratamentos de radioterapia e com a necessidade extrema de fazer algo por mim para continuar a minha luta, decidi ir passar uns dias a Lisboa a casa da minha prima. O convite já me tinha sido feito várias vezes, mas nunca tinha tido oportunidade ou por realização de tratamentos ou por ter consultas marcadas.

Assim, como estava a aproximar-se a época do Carnaval, a altura do ano que eu mais detesto e como precisava de “esvaziar” a minha cabeça e manter-me afastada de tudo o que não gosto decidi aproveitar estes dias para sair.

O meu pai levou-me a Leiria e fui de expresso até Lisboa. Adoro andar de autocarro! Adoro viajar sozinha, ter os meus momentos… só meus, sem interrupções. Levei um livro para ler, o mp4 para ouvir música mas a minha cabeça não parava de pensar em tudo o que tinha passado e como ia arranjar forças e coragem para me restabelecer e recomeçar a minha vida.

A primeira etapa estava ganha! Tirar o lenço! Tinha o cabelo super curtinho, tinha muito frio na cabeça e era extremamente importante para mim assumir-me tal como era e estava.

A minha estadia em Lisboa tinha como objectivo principal estar com a minha família, rever o meu primo Pedro (primo com quem brinquei na minha infância e depois perdi o contacto) e ir a um concerto no Pavilhão Atlântico.

Passei um dia fantástico com o meu primo. Fomos almoçar a um restaurante mexicano nas Docas e depois fomos para o Parque das Nações. Revisitei a “minha” Expo’98 o que foi maravilhoso! Visitámos o “meu” Pavilhão Conhecimento dos Mares, actual Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva e diverti-me imenso. Muito mesmo!

Fui com os meus primos e com um grupo de amigos ver o concerto "Banda de Tributo a Abba" na sala tejo do Pavilhão Atlântico, foi a primeira vez que lá entrei e adorei. Foi muito, muito giro. Cantei, dancei e fiz muitas pausas para me sentar no chão a descansar. No final do concerto, houve uma grande festa da rádio M80. As músicas são muito giras e fazem-nos “abanar o esqueleto”. Lol. Nesta fase, já muito cansada e não querendo estragar a noite a quem estava comigo, fui-me sentar na bancada e fiquei a admirar as pessoas que estavam na plateia a dançar e a divertir-se. Muitas estavam mascaradas devido a um concurso de máscaras. Apesar de não gostar do Carnaval e de pessoas mascaradas, achei todo aquele ambiente muito bom, muito giro, gostei de estar ali, naquele sítio com pessoas giras, educadas e civilizadas que faziam rir e divertir todas as pessoas que ali se encontravam estivessem ou não mascaradas.



 Aproveitando a minha estadia em Lisboa, fui visitar uma amiga que conheci na Expo e que desde então faz parte da minha vida. Adoro-a muito! Passei uma noite muito agradável na sua companhia, das suas princesas e do seu príncipe.

Apesar de estar longe e de querer estar em paz e sossego nestes dias, vários foram os telefonemas que recebi a porem-me a par de tudo o que acontecia na Vieira e na Praia da Vieira durante os dias de folia do Carnaval. Cada vez mais as pessoas me desiludiam…

Quando cheguei, soube da notícia da partida do João, amigo da minha estrelinha. Fiquei muito surpreendida pela negativa e muito triste, com a partida de mais um companheiro de luta. Tenho a certeza que esteja onde estiver, está bem, feliz, sem dores e sem sofrimento.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tratamentos de Radioterapia

Se o ano de 2008 foi “riquíssimo” em tratamentos de quimioterapia, o mês de Janeiro de 2009 foi “cheio” e “novo” com os tratamentos de radioterapia.

Foi novidade! Os tratamentos foram realizados num outro hospital o que fez com que os meus níveis de stress e nervosismo subissem a pique. Saí da minha zona de conforto… O Hospital Universitário de Coimbra, serviço de radioterapia, tem óptimas condições e muito bons profissionais o que contribuiu para a minha confiança, paz e sucesso.

Antes de iniciar os tratamentos de radio fiz várias análises ao sangue e TAC’s para saberem exactamente qual a localização, a área a ser tratada. Não foi fácil porque o estômago não é um órgão que esteja parado e houve necessidade de me fazerem uma “revisão” para uma marcação mais precisa e eficiente. Os pontos são marcados no corpo com uma agulha com tinta da china e nunca mais desaparecem.

Fiz um total de 18 tratamentos, 2 tratamentos em 30 e 31 de Dezembro de 2008 e 16 tratamentos durante o mês de Janeiro, com a duração de cerca de 15/20 minutos cada um. Com hora marcada, chegava ao hospital, dirigia-me à secretaria e aguardava que chamassem o meu nome através de um altifalante. Tinha uma cabine onde me despia, ficava em cuecas e meias, vestia uma bata e dirigia-me a uma sala com uma máquina semelhante a uma máquina de realizar TAC’s, onde a única diferença é ter um quadrado com réguas estrategicamente bem posicionada sobre a zona a tratar.


Durante a realização dos tratamentos, quando estava deitada, tinha um ritual… Fechava os olhos e rezava o Pai Nosso e a Avé Maria e falava com Deus e Nossa Senhora para que os tratamentos fizessem efeito e tudo terminasse o mais rápido e da melhor maneira possível. Rezava por mim e por todos os doentes.

A deslocação para o hospital era feita de 2.ª a 6.ª feira de ambulância, sempre com a companhia do meu pai.

As viagens eram longas e chatas. Estava sempre desejosa para chegar, fazer o tratamento e vir embora para casa. Neste momento e olhando para trás, acho que me cansei mais das viagens do que propriamente dos tratamentos. Andava cansada, estoirada e o que mais queria era distância do meu telemóvel! Não havia paciência! Paz e sossego era o que mais ambicionava e desejava.

Os efeitos secundários foram variados e diversos, não foram tão maus como os da quimio, mas deixaram-me em “baixo de forma”. O pior de todos foi sem dúvida o estado lastimável em que minha boca ficou. Actualmente, ainda não consegui tratar e curar os meus dentes e gengivas. Espero que a “má onda” que tem atravessado a minha vida me permita ter saúde para poder trabalhar e ganhar o dinheiro necessário para não sofrer mais dor de dentes e gengivas.

"Deus não exige que tenhamos sucesso; ele só exige que tentemos. " Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Final de Ano 2008 (Finalmente!!)

O ano de 2008 foi terrível, o pior ano de toda a minha vida! Graças a Deus estava a chegar ao fim e eu ansiava, ambicionava, desejava o novo ano 2009 com tudo de bom que ele me podia trazer, ou melhor, com tudo de bom que eu queria que ele me trouxesse.

Fiz questão e pedi aos meus pais para passarmos a passagem de ano em casa, em paz e sossego. Ainda me sentia muito debilitada e não me sentia bem. O meu ego, a minha auto-estima, o meu amor próprio estavam pelas ruas da amargura, como é natural. Olhava ao meu redor e a vida das pessoas que me eram mais próximas continuava normalmente, só a minha é que estava em “stand by” a todos os níveis…

Não foi uma noite muito animada… A alegria não “abundava” em minha casa. A realidade é que o Natal nunca mais foi o mesmo desde a partida do meu avô. Os Natais eram sempre passados em casa dos meus avós maternos com a família toda. A confusão era mais que muita, mas era uma época muito especial e muito, muito Feliz.

Apareceram em casa dos meus pais alguns dos meus amigos. Fizemos uma sessão de karaoke mas não me sentia bem, não me sentia feliz… Sentia-me alegre e muito contente pelo facto de ter terminado os tratamentos de quimio e por terem corrido bem, por estar a vencer a doença e de estar viva neste momento, no entanto, existia outra parte de mim que sentia-se triste e infeliz pelo facto de não ter o que mais queria noutras áreas da minha vida. Não me sentia completa e o novo ano de 2009 para mim tinha obrigatoriamente que ser um ponto de viragem na minha vida ou não ia correr nada bem!

O meu principal objectivo era fortalecer-me para enfrentar uma outra e nova etapa, os tratamentos de radioterapia.

Nessa noite, os meus amigos convenceram-me a sair de casa e a ir até aos bares da praia da Vieira… Foi de mal a pior… Foi horrível… Não aguentei lá 5 minutos e fui-me embora…

A noite da passagem de ano estava passada… A minha fé e esperança era para um novo ano MUITO, mas MUITO MELHOR!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O meu surpreendente Natal 2008

O tempo estava muito frio e chuvoso, aproximava-se o Natal eu tinha a companhia permanente do meu pai e dedicava-me à malha, a fazer cachecóis, a ver televisão e dormir…

O meu Pluto (cão) tinha desaparecido num dos passeios que fazia com o meu pai e eu nesta altura estava apaixonada por uma cadela lavrador. Volta e meia pedia ao meu pai um cão, mas ele andava muito triste (e cansado) com o desaparecimento do seu “colega” Pluto e ainda mais com tudo o que me estava a acontecer. A resposta era sempre a mesma: “Pelo amor de Deus Andreia, achas que tenho condições para ter um cão agora?!? Ganha-me juízo!”. O meu coração apertava e com a voz meia trémula dizia "ok"… O Pluto fazia-me tanta falta. Era rafeiro, muito maluco mas muito meiguinho e muito inteligente porque percebia tudo o que lhe dizíamos. Já fazia parte da família e fazia-me rir.

Dia 22 de Dezembro á noite, a campainha da porta principal da casa dos meus pais tocou e coube-me a mim ir abri-la. Quando abri não vi ninguém e achei estranho… qual era a piada?!? Foi quando olhei para baixo e vi… isto…

Nem queria acreditar no que estava a ver… Ainda perguntei se era mesmo para mim (podia ter havido algum engano) mas confirmava-se! O meu irmão em parceria com o meu ex-namorado tinham-me oferecido esta maravilha que desde a primeira vez que o vi apaixonei-me de imediato! O meu coração encheu-se de alegria e emoção e fartei-me de chorar. Todos estavam felizes à excepção do meu pai que estava aterrorizado! Lol

Nos dias que se seguiram (e até agora) tem sido uma aventura com este pequeno/grande “diabrete” de nome Lord (em memória de um cão que eu conheci e amei na minha infância). É a loucura em casa dos meus pais e um autentico desassossego. :D

O meu Lord é grande, é um verdadeiro atleta e um ganda maluco. Só quer brincadeira e atira-se logo às pessoas. A sua verdadeira loucura é a água e é tão giro vê-lo a brincar com ela. O seu passatempo preferido é roubar-nos roupa para andarmos atrás dele… Só quer brincadeira. Não pára um minuto sossegado, ou melhor… pára quando há comida por perto e aí é vê-lo a babar-se todo.

De vez em quando ponho-o maluco quando falo com ele ao telemóvel. Lol. Ele conhece a minha voz mas não me vê… já está habituado porque quando tomava banho em casa dos meus pais chamava-o da banheira e ele ouvia-me na rua e era vê-lo “doidão” à minha procura. Hihihihihi.

Tenho muita pena de não o ter aqui comigo, mas é impensável tê-lo num apartamento tão pequeno. Quem sabe um dia se mudar… Também não sei se terei coragem de o tirar da casa dos meus pais, é a sua casa, a única que ele conheceu e apesar de o meu pai estar sempre a reclamar, eu sei que ele ADORA o Lord. É impossível não se gostar!

O Lord foi uma das prendas surpreendentes que tive. Seguiram-se outras e a maior e mais importante de todas para mim foi passar mais um Natal viva, com a presença e o amor da minha família e verdadeiros amigos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma surpresa inesquecível

Era um Sábado de Dezembro normalíssimo não fosse a muito agradável e inesquecível surpresa da vinda dos meus amigos da Expo’98 à Vieira para me verem.

Nem queria acreditar! O Carlos, a Sofia com as suas princesas: Maria e Leonor, a Susana e o Nuno vieram visitar-me! O almoço foi o que é normalmente, sopinha com peixinho grelhado que a minha mãe e o meu pai fizeram. Também eles estavam muito felizes, apesar de muito cansados (não foi um ano nada fácil para eles, principalmente para a minha mãe que tinha o seu emprego/trabalho e teve de aliar com as viagens, as consultas, as visitas, a confecção da alimentação e tudo o resto que envolve a gestão de uma casa e de uma doente.)

Foi um almoço muito alegre e divertido a falar sobre o rumo da vida que cada um tinha tomado depois da Expo e os planos/objectivos que cada um tinha para o futuro. Claro está que o futebol e o desporto também foram tema de conversa… numa casa de Sportinguistas eis que recebemos (com muito gosto!) um Benf… muito vermelhão… hehehehehehe. E as várias histórias do pavilhão foram uma constante. Num pavilhão com cento e tal colaboradores todos tão diferentes uns dos outros nada mais natural que tivessem existido casos caricatos e engraçados. Foi muito bom reviver esses tempos!

À tarde fomos dar um passeio até à praia da Vieira e praia do Pedrógão onde fizemos uma pausa no bar “Holandês”. Lembro-me que estava uma ventania horrível, as estradas estavam cheias de areia mas estava um sol radiante. O dia estava como eu, muito contente e Feliz!

Em 1998, quando fui trabalhar para a Expo’98 conheci muitas pessoas. Umas marcaram-me mais que outras (como é natural), O Carlos, a Sofia e a Susana sempre estiveram comigo em todo o meu percurso desde então e eu sinto por eles uma amizade, um carinho e um respeito muito, muito grande pelas pessoas que são.

Agradeço-lhes tudo o que me têm feito e tudo o que me têm dado ao longo destes anos de amizade. Muito obrigada! Agora aguardo a vossa visita em minha casa, em Leiria. Entretanto encontramo-nos no almoço convívio da Expo aqui em Leiria.

ADORO-VOS MUITO!!

domingo, 10 de outubro de 2010

Dezembro 2008

Os tratamentos estavam a terminar, ao efeitos secundários a passar (diarreias, infecções urinárias, náuseas, vómitos, má disposição, …) O final do ano estava a chegar ao fim e a minha força e fé aumentavam com a aproximação de um ano novo carregado de surpresas, a minha cura e muita, muita paz e felicidade.

Neste mês fui convidada pela minha estrelinha para participar num jantar de Natal organizado por ela com amigas e primas. Fiquei na dúvida se devia de ir uma vez que me sentia tão debilitada, mas a vontade de sair e fazer algo diferente aliciava-me MUITO.

Numa das idas ao hospital, eu e os meus pais fomos ao fórum para fazer tempo, uma vez que as consultas na Hematologia eram de manhã e normalmente era internada da parte da tarde. Num desses passeios comprei um vestido de malha castanho e amarelo que estava em pulgas para o estrear. A minha roupa normal era pijama e fatos de treino. Vestir algo diferente que obrigava-ma a arranjar, a olhar-me ao espelho e aceitar-me tal como era… não era tarefa fácil mas pensei e escolhi os acessórios todos a condizer. Lol.

E lá fui eu toda “quitada” de camisolas e casacos! E foi uma noite tão gira!!! Inesquecível! Diverti-me imenso e fartei-me de rir. Jantámos no restaurante “Rotunda” na Praia do Pedrogão e depois fomos para o café rotunda (ao lado) onde fizemos uma verdadeira sessão de karaoke. No início ninguém queria cantar, ninguém cantava bem e isto e aquilo. No final, todas cantámos e encantámos! Hihihihihihihihi. Eu cantei o “Fado Toninho” dos Deolinda. Lol. E a partir daqui… foi sempre a cantar.

Também fui convidada para um almoço de Natal, num Domingo com as minhas amigas da Vieira no restaurante “O Curral” e apesar de estar “diferente” sentia-me bem e mais importante viva! O almoço foi muito giro e muito divertido. Estive com pessoas que fizeram parte da história da minha vida na minha infância e juventude e agora Deus estava a dar-me a oportunidade de voltar poder a estar com elas.

Devagarinho, estava a retomar a minha vida. Com muita calma e muita paciência estava a tentar ser Feliz.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pequenos grandes gestos

O tempo que passava em casa ou era na cama ou no sofá. Conforme os dias e a disposição.

Nesta fase não queria ver, nem ouvir ninguém. Sentia-me muito “em baixo”. Um Sábado, a minha mãe obrigou-me a sair de casa para ir dar uma volta de carro e ir ao clube vídeo buscar alguns filmes que me animassem. Apesar de não ter disposição para nada fiz-lhe a vontade. A primeira paragem foi na loja de uma amiga minha na Viera que assim que a vi desatei a chorar… a Carina agarrou-se a mim e chorava comigo… depois de estarmos um tempo assim, agarradas uma à outra, vi que na loja para além da minha mãe também estava o marido dela que também se emocionou ao ver-nos.

Fui ao clube vídeo e a minha vontade era fugir. Aluguei os filmes e fui para casa enfiar-me no quarto. Os meus Sábados á noite normalmente eram passados em casa na cama a ver os “Apanhados” e o que desse na televisão sozinha em paz e sossego.

Este Sábado foi diferente! A casa dos meus pais foi “assaltada” pela Carina, pela Mimi (a filha da Carina que eu AMO) e pela Eunice. Todas de pijama “artilhadas” com chocolates, rebuçados, gomas e tudo mais que fosse doce! Lol. O meu dia de tristeza profunda tinha-se tornado numa noite de pijama super animada a ver um filme e a comer “porcarias”. Claro está que não nos calámos um minuto a falar de nós e de toda a gente que nos lembrávamos e ainda pregámos algumas partidas.


Foi muito bom! Não queria falar nem ver ninguém mas elas não me deram qualquer hipótese e agradeço-lhes muito por isso.

Durante esta minha etapa fui presenteada com muitas surpresas por parte das minhas amigas e de familiares. Desde a festas pijama, a sessões de cinema, a desfiles de roupa, sessões de chá, visitas inesperadas (quando só queria era estar sozinha...), mensagens, mail’s, … O objectivo era animarem-me e conseguiram.

O meu muito obrigada a todos! Foram momentos muito difíceis que foram amenizados com os vossos pequenos grandes gestos que jamais esquecerei. Muito obrigada!!

Não podia desistir!

O meu primeiro tratamento foi difícil, mas não impossível. As náuseas e os vómitos eram uma constante mas aguentava-me firme e forte. Só queria sair do hospital e apanhar ar fresco, ir para casa.

Tinha tempo para descansar e recuperar até ao próximo. O segundo tratamento teve de ser adiado uma vez que não tinha valores para ficar internada, as plaquetas estavam em baixo e precisava de mais tempo para me restabelecer, recuperar.

A minha cabeça não parava!

Durante este segundo tratamento, estava internada e acordei com um telefonema do meu ex-namorado a dar-me a notícia que “tinha morrido uma amiga minha, a Sónia”. Fiquei a bater mal, mas precisava ter a certeza que não era mais uma das mentiras dele. Liguei para algumas das minhas amigas porque precisava da confirmação. Não podia ser! Não queria acreditar! O pior confirmava-se! A Sónia não tinha resistido a um cancro da mama, os tratamentos não deram resultado. Sempre acreditei que iria vencer a doença e ser muito feliz, mas Deus assim não quis.

A Sónia era uma mulher muito marcante, pela sua beleza física, pela sua sinceridade, honestidade e muita frontalidade. Encarou sempre a doença da melhor maneira e estava sempre bem. Emprestei-lhe o livro “Viver de Amar” num jantar que tivemos antes de iniciar os tratamentos de quimio e radioterapia. Nunca o leu porque sempre teve a força necessária para a luta pela sua vida. Nunca a vou esquecer! É mais um anjinho no céu a olhar por todos nós e a fazer rir todos os que estão com ela.

No hospital com o choque da notícia, fiquei histérica, deu-me um ataque de choro, perdi o controlo de tudo. O psicólogo do hospital foi chamado e deram-me um calmante (para cavalos) para me porem mais calma e resultou. No entanto, a angústia, a tristeza e o desespero apoderavam-se de mim. Não sei como fiz o meu tratamento de quimioterapia de 24h nesse mesmo dia, no entanto sobrevivi e consegui. Foi o pior e o mais difícil sem dúvida! Passei todo o tempo a rezar, a pedir a Deus para me poupar, para me deixar viver…

Acredito em Deus, acredito no meu anjo da guarda e acredito que existe uma força que nos faz ultrapassar tudo. É este acreditar que me mantém viva e fiel a mim mesma e que me faz ser quem eu sou.

Apesar de todos os sentimentos negativos que carregava dentro de mim, não só pela partida da Sónia mas pela falta de respeito, falta de amor que tiveram para comigo ao darem-me a notícia da pior maneira. Não se faz! Foi uma dura aprendizagem… Cada vez mais percebia que existem pessoas más e muito, muito egoístas. Os outros não interessam desde que eu esteja bem. E cada vez mais descobria-me a mim própria e sentia mais admiração, mais orgulho, mais amor, mais carinho, mais tudo pelos meus pais e pela educação que sempre me deram. 

Obrigada Pai e Mãe!

sábado, 25 de setembro de 2010

O reinício dos tratamentos,

foi um balde de água fria para mim, para os meus pais, para a minha família, amigos, colegas de trabalho… estava tudo incrédulo com a notícia. Eu apesar de triste, mantive-me sempre consciente e com esperança que me curasse de vez. O tempo aqui já não me interessava! Tudo o que queria era curar-me e que a minha vida de volta sem pausas nem interrupções!

Dia 6 de Outubro, segunda-feira de manhã lá estava eu para uma consulta no serviço de Hematologia no Hospital dos Covões! Confirmava-se a notícia que tinha de recomeçar os tratamentos de quimioterapia mais agressivos o quanto antes. Agora era tempo de munir-me de forças e coragem para “enfrentar o touro pelos cornos”! Mais uma vez, Deus mostrou-me que de nada valia chorar, desesperar, revoltar, espernear… As lamurias, o pessimismo, o sentido de derrota, as lamechices de nada me valiam neste momento crucial da minha vida (mais um) porque ou eu LUTAVA ou eu MORRIA!

Fui internada passados 2 dias, no dia 8 de Outubro no serviço de Neurologia. Entrei às 15h e quem me visse era a pessoa mais calma do mundo mas no meu íntimo estava “borradinha” com medo. Nunca tinha estado internada num hospital. Até então, nunca tinha tido nada, partido nada, nunca tinha tido uma baixa médica.

Iniciei o tratamento de quimioterapia de 2.ª linha de acordo com o protocolo R-ICE e consistia em fazer um tratamento de 30m de quimio no 1.º dia de internamento, 24h no segundo. Penso que fiz 3 ciclos de quimio, ou seja, tive internada 3 vezes em tempos diferentes (2 tratamentos em Outubro e um em Novembro). Muito sinceramente, não me lembro se fiz mais algum.

O quarto era bom, recente com toda a comodidade que um hospital podia oferecer, o quarto onde estive era de cor azul (do céu, do mar…), tinha uma televisão e mais duas companheiras de quarto. Na primeira noite que passei no hospital (e para começar bem) vi a morte de uma das minhas companheiras. Quando cheguei a senhora já não estava bem. Encontrava-se ligada às máquinas e fazia-me muita impressão pelo que pedi às enfermeiras para puxarem a cortina de modo a não conseguir visualizá-la (pensava eu que era a primeira vez que assistia à morte de uma pessoa). Acordei de madrugada com o aparato das máquinas a apitarem, as luzes, o pessoal médico e enfermeiros e correrem de um lado para o outro na tentativa de salvarem aquela pessoa.

No dia seguinte, quando acordei, a senhora já não se encontrava no quarto, na cama. Fiquei intrigada e perguntei: “Onde está a senhora que estava aqui na cama ao lado?”. A enfermeira respondeu com um ar muito triste: “Foi transferida…”

Ok! Pensei eu! E rezei por ela, para onde quer que estivesse, estivesse bem e em paz e não estivesse a sofrer. Depois rezei por todas as pessoas que estavam internadas na cirurgia, mas depois rezei pelas pessoas que estavam naquele hospital e depois rezei pelas pessoas que estavam em outros hospitais e rezei também pelas pessoas que estavam em casa doentes e rezei pelas pessoas que estavam a sofrer e rezei também pelos médicos que tratam essas pessoas e pelos enfermeiros que tratam delas e ainda rezei pelas suas famílias e rezei e rezei e rezei…



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Recaída


Mês de Setembro, tive o convite da minha tia para ir passar uma semana às termas de Caldas da Felgueira (no Norte do país) com ela e uma amiga. Aceitei de imediato o convite e pedi férias no meu trabalho. Sentia-me muito cansada, muito triste em relação ao termino da minha relação e muito apreensiva em relação ao resultado da minha endoscopia.

Fomos num Domingo de manhã e estava toda animada com a viagem e o facto de poder estar uma semana com a minha tia num sítio que eu já conhecia e tanto gostava quer pela sua beleza, quer pela sua calma. Não sabia bem o que ia fazer uma vez que não podia usufruir dos tratamentos termais, por questões de saúde e por questões monetárias. Levei revistas e o principal objectivo era dormir, descansar e esquecer tudo o que me fazia mal e prejudicava até então.

Na segunda-feira de manhã, acordámos cedo para ir tomar o pequeno-almoço e fomos até ao edifício das termas para a minha tia e a amiga adquirirem os tratamentos termais para elas. Quando cheguei ao quarto verifiquei que tinha uma chamada não atendida do Hospital dos Covões e entrei logo em pânico. Retribuí a chamada mas a minha médica não me pode atender porque estava a dar consultas. De imediato, liguei ao meu pai na esperança de a médica lhe ter ligado e lhe ter dito o que se passava. Não sabia de nada… mas já estava à espera. Foi uma manhã terrível para mim e para a minha tia que não sabia o que me fazer… Eu parecia uma barata tonta dentro do quarto e o meu coração parecia querer explodir, rebentar de tantos nervos. Voltei a ligar para o hospital e consegui falar com a médica… o pior estava a acontecer… uma recaída! O linfoma voltou no mesmo sítio e tinha que me apresentar no hospital daí a uma semana para começar novos tratamentos!

Como?!? Agora que estava a recomeçar a minha vida?!? Agora que tudo estava a voltar à normalidade?!? Agora que pensava que tudo tinha terminado e tinha como garantido o fim?!? Porquê meu Deus?!? Porquê a mim?!? Porquê aos meus pais?!? Porquê?!?

Foi a semana mais longa, mais difícil, mais angustiante da minha vida… O que é que o futuro me reservava?

A minha tia de tudo fez para me proporcionar o melhor dos melhores! Comprava-me revistas, levava-me a passear, ofereceu-me um casaco em Viseu, massagens e aulas de hidroginástica nas termas. Ensinou a fazer malha para me manter ocupada. E foi aqui que comecei a ganhar amor aos meus cachecóis.

Foi nesta viagem que conheci a Natércia, amiga da minha tia que tinha lutado contra o cancro da mama e venceu! Mulher de garra, de coragem, de força e com uma boa disposição incrível fez de tudo para manter-me sempre positiva! E em alguns momentos ela e o marido conseguiram! Pertence à Associação das Mulheres Mastectomizadas e foi também graças a ela que eu ganhei coragem e força para o que aí vinha!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Agosto, mês de férias. Setembro, mês de mudanças.

O Verão estava a terminar e eu estava super feliz por ter superado um Verão. O meu primeiro Verão sem poder fazer praia. Depois das férias, da ida para o Geres queria retomar a minha vida o quanto antes.

Os meus principais objectivos eram terminar o meu namoro e voltar para a minha casa. E foi o que fiz! Farta, cansada e saturada de tudo e na esperança de uma reviravolta na minha vida que me trouxesse o que tanto procurava e precisava: a paz, a calma e a felicidade tomei as decisões que considerei necessárias e imprescindíveis para o meu bem-estar físico e psíquico.

Durante a semana trabalhava e sentia-me muito cansada das viagens de Vieira para Leiria e vice-versa. Também tinha a minha casa e custava-me muito estar a pagá-la e não estar a usufruir dela. Assim, decidi voltar ao “meu cantinho” e reconquistar o que era meu.

Aos fins-de-semana ia para a Vieira para estar junto das pessoas que mais amo, para poder reunir-me com as minhas amigas, fazermos os nossos jantares e “cafezes”. Era diferente passá-los em Leiria. Normalmente, sempre que ficava em Leiria era em casa a descansar, a ver tv, mas nesta altura o que eu queria era VIVER! Aproveitar todo o tempo para sair, ir ao cinema, divertir-me, conviver, conhecer novas pessoas…

Não estando totalmente satisfeita, quis fazer o que mais gostava e frequentei uma academia de dança (durante pouco tempo)… As minhas aulas de ballet na infância e de dança moderna na adolescência “chamavam-me” para aquilo que eu mais gostava e gosto de fazer mas o corpo não aguentava… Fui motivada e incentivada pela proprietária da academia que (tal como eu) era doente oncológica. Tinha-lhe sido diagnosticada uma leucemia e ofereceu-me a inscrição e permitiu-me frequentar todas as aulas que quisesse. (Um sinal de Deus!)

O tempo que estive a morar em Leiria, fez-me reaproximar e rever amigos de longa data. Andava alegre, divertida, perdida, cansada e por dentro, a minha alma doía…

Estava a sofrer mais uma perda…


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nova consulta e a vida continua

Em 17 de Julho, desloquei-me ao Hospital dos Covões para nova consulta de hematologia com a minha médica.

Coloquei várias questões, nomeadamente, sobre a minha falta de memória, o sol, a medicação que tinha de continuar a tomar, se podia voltar para a minha casa, quanto tempo iria demorar a crescer o meu cabelo, quando podia ir ao dentista e ao ginecologista…

Foi-me receitado ferro para tomar depois de almoço com sumo de laranja ou vinho tinto uma vez que ajudava à absorção do mesmo no organismo. Foi-me proibido o consumo de leite ou derivados com a toma destes comprimidos por fazerem o efeito contrário.

A minha vida prosseguia normalmente com todos os cuidados recomendados pela médica e a minha prioridade era ter férias!! Sair daqui, ir para um sítio diferente e tranquilo que me fizesse esquecer tudo e todos e me fizesse carregar baterias! Ninguém imaginava o quanto era importante para mim sair daqui!

Depois de várias pesquisas e diálogos com a Diana decidi que o melhor sítio para ir era o Norte do país, mais concretamente o Gerês, uma vez que não existia praia podia andar à vontade e aproveitava para conhecer melhor essa região. Fiz questão de arranjar como alojamento um apartamento T0 onde me permitisse fazer as minhas próprias refeições e ter sempre comida disponível. Como não podia deixar de ser tinha de ter (obrigatoriamente) piscina. Apesar de ainda andar de lenço e não ter cabelo tinha de arranjar uma maneira de lá poder andar à vontade e arranjei! Andei com a careca ao léu!  :D

Fartei-me de passear! Conheci Vieira do Minho, andei de gaivota, fui passear e conhecer Braga, visitei o Santuário São Bento da Porta Aberta e ainda tive oportunidade de conhecer Famalicão. Quis visitar Vilarinho das Furnas mas não consegui ir. Fica para uma próxima vez! Foi bom sair daqui, apanhar novos ares e arejar.

Quando voltei sentia-me renovada mas cansada...

“Já estive aqui antes e voltarei outra vez, mas não terminarei esta viagem” Bob Marley

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O meu aniversário

Chegou o dia 11 de Julho, o dia do meu aniversário! O dia tão desejado por mim. Estava muito feliz por ter conseguido atingir o meu objectivo e por me encontrar viva e poder comemorar mais um ano de vida.

Foi um dia surpreendente!

Fui trabalhar e à hora de almoço a minha estrelinha insistiu que tínhamos de ir almoçar fora para comemorar (desde que fiquei doente que faço questão de levar a minha própria comida. Nem sempre me dá “jeito” mas para além de ficar mais barato também é mais saudável). Escolhemos o local no jardim Luís de Camões em Leiria, perto da Associação para não perdermos muito tempo e almoçarmos tranquilamente. Quando entrei no restaurante fiquei estupefacta quando vi a minha coordenadora e todos os meus colegas de trabalho. Eu nem imagino a minha cara quando entrei no restaurante!! Lol. Almoçámos e no fim fui surpreendida mais uma vez com um bolo de aniversário feito pela minha coordenadora. Um óptimo e excelente bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Hum… (já se comia uma fatia) Estava delicioso e as lágrimas não me paravam de cair. Fiquei sem palavras… ADOREI! AMEI! CHOQUEI com as surpresas!

À noite, os meus pais organizaram um jantar de família com os meus avós. Convidei alguns amigos mais chegados para mais tarde, comerem uma fatia de bolo. Depois fomos até aos bares da praia da Vieira. A noite não foi muito pacífica e tão feliz como estava à espera e desejava. Na altura, o meu namorado não era (e não é) a pessoa mais querida do mundo e as minhas amigas nunca o viram com muito “bons olhos”. Quando queria conseguia ser provocador e (parabéns) porque conseguia irritar qualquer um(a).

Foi um dia muito feliz em que fica na minha memória o almoço surpresa que os meus colegas de trabalho me fizeram e o qual eu agradeço MUITO e (mais uma vez) o esforço dos meus pais em me proporcionarem o melhor neste dia tão especial para mim. O meu muito OBRIGADA!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Último tratamento de quimio

Foi no dia 12 de Junho de 2008 que fiz (aquele que pensava ser) o meu último tratamento de quimio. Estava radiante, super feliz porque tudo tinha terminado e não passava tudo de uma má fase num período menos feliz da minha vida.

Neste dia, muitas foram as pessoas com quem partilhei a minha felicidade e recebi mensagens e telefonemas incríveis a quem agradeço muito.

O meu objectivo estava a ser realizado! A data do meu aniversário estava a aproximar-se e eu estava livre de consultas e tratamentos. Daqui para a frente era seguir com a minha vida, voltar a trabalhar a 100%, voltar para a minha casa, terminar o meu namoro e ser Feliz!

Sabia que apesar de estar viva e curada esse Verão não ia ser como o do ano passado porque não podia ir para a praia e tinha muitos cuidados a ter, especialmente com a alimentação. Tinha de arranjar outras maneiras de passar o Verão de uma forma diferente. Não saía de casa sem colocar protector e fizesse o calor que fizesse andava sempre tapada com boleros ou casacos. Não havia nenhum raio de sol que entrasse em mim. Lol. À noite quando saía, colocava um pó, uma base mais escura para parecer mais bronzeada e continuava a usar os meus lenços sempre a condizer (pois tá claro!).

Não foi um Verão muito feliz mas passou-se. Estava VIVA e tinha ganho uma batalha! Isso é que era importante!

domingo, 12 de setembro de 2010

E porque muito mais tinha para dizer...

“Minha Pérola, presto aqui a minha homenagem a ti! É graças a ti que o meu blog existe e agradeço-te por isso! Para mim sempre foste sincera, leal, humilde, companheira, amiga, querida, divertida, positiva, corajosa… Existem poucas pessoas como tu. Apesar de tudo o que estavas a passar nunca te queixavas, nunca falavas mal, nunca te revoltavas. Aceitas-te o que Deus te deu e lutaste sempre como uma verdadeira guerreira e sempre com um sorriso lindo e um amor gigantesco. Sei e sinto que és um anjinho que estás no céu a olhar por todos nós e agradeço-te tudo o que tens feito por mim. Estás e estarás sempre no meu coração e não há dia nenhum que não pense em ti! Não me arrependo de nada e foi um enorme prazer e orgulho ter-te conhecido e ter-te na minha vida! Sinto que ainda não fiz o luto pela tua perda porque não consigo aceitar e conformar-me com a tua partida. As saudades são muitas, são imensas. Adoro-te mais que muito! Da tua e sempre amiga Andreia.”


Aqui deixo a nossa música. Sempre que a ouvíamos achávamos que era um sinal de Deus a dizer-nos para nunca desistirmos. E não desistimos! 



A minha pérola

Foi no dia 17 de Maio de 2008 que conheci a Diana, aquela que viria ser a minha pérola. Ouvi falar da Diana através de uma amiga em comum que por sinal soube no mesmo dia, que eu e a Diana estávamos doentes com linfoma (ainda que distintos).

Fui pesquisar a Diana no hi5 (abençoado!) através dos amigos dessa nossa amiga e mandei-lhe uma primeira mensagem a apresentar-me. Tive a resposta passado uns dias e trocámos logo os números de telemóvel para que pudéssemos estar em contacto.

A Diana encontrava-se na Covilhã a fazer tratamentos, uma vez que era lá que vivia e ligou-me a marcar um encontro porque vinha à Marinha Grande visitar os pais nesse fim de semana.

Ambas queríamos conhecer-nos por ouvirmos falar tanto uma da outra. Eu estava em “pulgas” para a conhecer pessoalmente! Pelo que eu já conhecia da Diana era uma pessoa que quanto mais se conhecia, mais se queria conhecer. Apesar de comunicarmos via “net” e via “móvel” nunca é a mesma coisa ver uma pessoa ao vivo e a cores!

Combinámos o encontro para Sábado à tarde no bar/café Operário e acompanhou-me a Dayse (namorada do meu irmão na altura).

Assim que entrámos a Diana e o Hélio (marido) já estavam à nossa espera e assim que nos cumprimentámos houve logo uma empatia imediata. A Diana era uma pessoa muito acessível, muito humilde, muito educada e com um sorriso maravilhoso que encantava qualquer pessoa. Eu usava lenço na altura e sei que a Diana ficou um bocadinho “chocada”, mas depois de falarmos, de sentirmos, de vermos que tínhamos tanto em comum isso passou e até lhe causou alguma confusão porque ambas estávamos a fazer tratamentos de quimio…

Disse à Diana que estava a ler o livro “Viver de Amar” de Otília Pires de Lima e que me estava a ajudar bastante na luta contra a doença. Ela comprou-o e também o leu! Adorou! O livro “Viver de Amar” deu-nos todas as esperanças e forças que precisávamos.

Tornámo-nos grandes amigas e sempre que falávamos uma com a outra o nosso tempo parava e o “peso” diminuía. Falávamos abertamente sobre tudo! Não havia julgamentos, existia muita sinceridade, muita cumplicidade e muitos, muitos risos. Trocávamos experiências e divertíamo-nos bastante e coincidência ou não, sentíamos as mesmas coisas e passávamos pelas mesmas coisas nas mesmas alturas.

Em questão de amores, a Dianinha estava muito, mas muito melhor que eu! Era com a Diana que desabafava e falava abertamente sobre o meu ex-namorado. Talvez por não o conhecer sentia-me mais à vontade para lhe contar tudo o que se passava e ela sempre me apoiou bastante. Cada vez que falávamos perguntava se já estava melhor e quando lhe respondia: “Não” (sempre a mesma resposta) desatávamos as duas a rir! Ao longo das nossas conversas muitas foram as vezes que nos emocionámos as duas… Quanto mais falávamos mais tínhamos para falar.

A Diana era a minha grande companheira de luta, uma pessoa incrível, fantástica com uma maneira de ser e de estar nunca vista. Adorava ler, adorava escrever, adorava os amigos, amava a família e amava a vida!

Tinha um blog (http://naminhaconcha-perola.blogspot.com/) onde escrevia tudo o que lhe ia na alma e no coração e eu fazia sempre questão de o acompanhar porque me revia na maioria das coisas que escrevia e porque a adorava e admirava muito. Ainda hoje acompanho o blog porque não há dia nenhum que não pense na minha pérola, no seu sorriso e o seu blog é uma forma de me sentir mais perto dela.

Tínhamos vários projectos em mente: organizar seminários, fóruns, workshops em parceria com várias entidades e pessoas (profissionais de saúde, pessoas que já estivessem curadas de cancro) que falassem e esclarecessem os doentes oncológicos e os seus familiares. Como não nos sentíamos muito apoiadas queríamos levar a informação, a força, a fé, a esperança a todos os que estivessem interessados. Esta ideia também surgiu pelo amor que temos aos nossos pais e por sabermos que eles estavam a sofrer muito. Queríamos que soubessem que é possível a cura e que nós nos íamos curar. Projectos e ideias não nos faltavam. Faltava-nos a saúde para seguirmos em frente.



sábado, 11 de setembro de 2010

30 de Abril 2008 – Jantar dos 10 anos da Expo’98

Depois de terminar o meu curso técnico-profissional de Turismo na EPAMG – Escola Profissional e Artística da Marinha Grande em 1997, tive a oportunidade de ir trabalhar para a Expo’98. Não que alguém me tivesse convidado, é claro! Como tudo na minha vida, tive de ir à luta! A terminar o meu curso queria imediatamente começar a trabalhar, mas não sabia muito bem onde nem a fazer o quê. Numa visita a uma Univa – Unidade de Inserção na Vida Activa que existia na Marinha Grande perto da escola para me ajudarem a fazer um currículo, vi um anúncio para voluntários. Hum… Não era bem o que eu queria…

Comecei à procura de trabalho, fartei-me de enviar currículos e de ir a entrevistas e… nada. Um dia fui com uma amiga a Leiria “às compras”, ou melhor, ver as lojas e não comprar nada porque o dinheiro nunca foi muito… Tristes com a “visita” às lojas decidimos mudar o rumo da nossa vinda a Leiria e resolvemos ir até ao IPJ – Instituto Português da Juventude onde vimos afixados vários anúncios para trabalho voluntário na Expo. A ideia era aliciante, muito interessante mas trabalhar de graça não era para mim!! É que mesmo que eu quisesse era impossível!  Como é que pagava as viagens? A alimentação? A estadia? Era impensável! Voltei à Univa na Marinha Grande e falei com a técnica, a Dr.ª Catarina. Não queria ser voluntária, queria ir trabalhar a tempo inteiro como as pessoas normais. Já não era nenhuma garota e queria ter um trabalho a sério! Nesta altura trabalhava num supermercado na Vieira. Eu gostava mas não me via a trabalhar ali o resto da minha vida (e ainda bem! Porque depois fechou! Agora é uma loja chinesa). Fiz um currículo à maneira e enviei-o para a sede da Expo’98 na esperança que alguém me chamasse… E chamaram!! Mandaram-me um telegrama numa sexta para me apresentar na Expo numa segunda. Que confusão!! Parecia uma barata tonta!! Estava a trabalhar e tinha responsabilidades! Não podia e não queria faltar ao trabalho. Viagens e viagens, entrevistas e entrevistas, e fui admitida! O processo de recrutamento foi horrível! Nunca fui tão humilhada (ou melhor… até fui por várias vezes e pessoas diferentes mas nesta altura ainda não sabia o que me reservava o futuro) mas consegui e fui trabalhar para a Expo’98!

Fui destacada para trabalhar no melhor pavilhão da Expo (para mim, pois tá claro) – O “Pavilhão do Conhecimento dos Mares”, actual Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva. Para mim foi uma vitória pessoal! Ir trabalhar para Lisboa para um lugar com a projecção da Expo’98 foi a loucura total! Ainda nem estava em mim, nem sabia como tinha conseguido. Fiz imensos amigos e conheci pessoas magníficas e extraordinárias que desde 1998 me têm acompanhado ao longo da vida e estão no meu coração!

Em 30 de Abril de 2008 foi realizado o jantar dos 10 anos (graças à persistência do meu amigo Carlos). Conseguiu-se através da internet, das redes sociais e do passa a palavra reunir a equipa do pavilhão. Infelizmente não estiveram todos presentes… Uns porque não conseguiram ir, outros porque já não estão entre nós… Mesmo assim foi muito bom o reencontro! Foi óptimo! E tão engraçado… Conhecia toda a gente, mas lembrar-me de todos os nomes foi a tarefa mais difícil que tive. Lá me consegui desembrulhar e foi bom ver pessoas dez anos mais “velhotas”.

A ida a esse jantar, foi uma aventura… Desde que tomei conhecimento que esse jantar se ia realizar disse imediatamente “EU VOU! EU QUERO IR!” mas… para o meu pai ir para Lisboa era um atrofio, namorado não tinha carta, carro e nem pensar levá-lo (só os amigos dele é que eram bons! Os meus não valiam nada! E jantar sem minis não era muito a onda dele!) Ir de autocarro era para esquecer! (andava no meio dos tratamentos). Já nem sabia o que fazer! Não havia nenhuma forma, jeito ou maneira de ir áquele jantar e já me estava a passar da marmita!!

Nessa altura fartei-me de barafustar com Deus e ele ouviu-me! O meu vizinho e o meu pai levaram-me de propósito a Lisboa ao jantar dos 10 anos da Expo e eu sentia-me a pessoa mais feliz deste mundo (e a mais nervosa também!). Nunca, mas NUNCA vou esquecer tamanho gesto de ambos porque não ficaram comigo no jantar. Foram para a Parede ter com o meu tio e a minha madrinha enquanto o jantar decorria. Sinto que foi bom para mim e também para o meu pai.

Fui ao jantar, reencontrei-me com os meus colegas e amigos do pavilhão e foi uma noite fantástica e inesquecível onde convivemos, confraternizámos, recordámos momentos passados e durante o jantar foram passados filmes daquela altura… Era tão nova, tão jovem e tão, mas tão feliz!

"Todos os dias Deus dá-nos um momento em que é possível mudar tudo o que nos deixa infelizes. O instante mágico é o momento em que um 'sim' ou um 'não' pode mudar toda a nossa existência." Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei – Paulo Coelho


terça-feira, 7 de setembro de 2010

O que eu fiz para ser Feliz!

Quem me conheceu e me conhece sabe que sou bem-disposta (tem dias…), que adoro rir, adoro divertir-me, dizer umas boas piadas e por tudo a mexer. Adoro sair, conhecer pessoas novas, locais novos, conviver, sair à noite, arranjar-me, ficar diferente e AMO dançar! “Abanar o esqueleto” como eu costumo dizer.

Não foram tempos fáceis os que eu passei e usei todas as “armas” que estavam ao meu alcance para me manter bem e feliz!

Ainda que não tivesse a vida perfeita, o amor perfeito, o namorado perfeito, a saúde perfeita, a imagem perfeita, eu iria encontrar a perfeição… um dia… enquanto esse dia não chegasse tinha de aceitar e lutar pelo meu sonho, pelos meus objectivos.

O que me mantinha “viva” era sempre a imagem presente de mim na praia com um belo biquíni amarelo, com um bronzeado estonteante e os meus longos cabelos na “minha” Praia da Vieira rodeada de amigos, a passear á beira mar, a ler um bom livro, a dormir… a fazer qualquer coisa desde que fosse na praia!! Era este objectivo que tinha determinado para mim! A minha cura e o fim dos tratamentos no Verão de 2008!

Enquanto isso não acontecia tinha uma vida “normal”. Tudo o que queria era ser normal, mas nem sempre a normalidade vivia em mim e em determinadas alturas em que eu “descia à terra” e era confrontada com o que me estava a acontecer davam-me grandes ataques de choro, de raiva, de angústia, de desespero... Muitas das vezes acordava assim! Só me apetecia chorar, berrar, espernear, bater em alguém… enfim…

Para contrariar os maus sentimentos que se apoderavam de mim, muitas vezes sugeria ao meu pai para ele durante a tarde ir dar o seu passeio a pé. O objectivo era deixar-me sozinha em casa. Dizia para não se preocupar que eu ficava bem e se precisasse de alguma coisa ligava-lhe para o telemóvel (afinal é para isso que ele existe, né?!?).

Era a pura da loucura naquela casa! Ligava a televisão na MTV ou outro canal com boa música, colocava o som nas alturas e dançava até não sentir forças no meu corpo (elas já não existiam em mim, mas a vontade era tanta que a força vinha não sei de onde, nem sei bem como)! Chorava muito mas dava por mim a rir que nem uma maluca porque conseguia-me ver nos vidros da porta que dá acesso a uma outra sala onde está o computador. Era a loucura total! Inventava coreografias e fazia figuras muito tristes (é verdade) mas muito cómicas! Acabava sempre a minha coreografia a “atirar-me” para o sofá e nessas noites dormia tão bem...

Nem sempre a televisão da sala estava disponível para “ver” a MTV e outros canais de música então em determinada altura emprestaram-me um DVD com um concerto ao vivo da Ivete Sangalo que fazia arrepiar todos os pelinhos do meu corpo (os poucos que eu tinha, pois tá claro!) e me deixava completamente electrizada (se é que me faço entender). Não conseguia parar de me mexer, de cantar, de dançar… Eu AMAVA aquela mulher, aquele música que por alguns momentos me fazia esquecer de tudo e de todos e sentir-me a mulher mais feliz, mais linda e maravilhosa do MUNDO!!

Os amigos também foram importantes e sair com eles/elas era muito bom! Sentia-me muito feliz sempre que era convidada para uma festa (fosse ela qual fosse) fazia-me sentir bem, viva!

“Todos os dias fazemos muitas coisas que não são importantes. Mas é muito importante que as façamos” Mahatma Gandhi





PS=Vejam o vídeo até ao fim e divirtam-se! SEJAM FELIZES!