Regressei da Holanda com o espírito renovado e certa que daqui para a frente a minha vida ia melhorar e muito. A doença estava tratada e era um assunto encerrado, o namoro que me fazia sofrer estava terminado, o meu trabalho estava a andar a bom ritmo… a minha vida estava a voltar ao que considerava “normal” depois de tudo por que tinha passado.O meu regresso da Holanda representava uma nova página na minha vida, uma viragem! Vinha mais confiante em mim própria e mais “crescida”. Daqui para a frente acreditava que tudo o que viesse pela frente era tudo BOM, ÓPTIMO, MARAVILHOSO, ESPANTOSO, MAGNÍFICO, … mas Deus assim não o entendeu.
Deus decidiu colocar na minha vida mais uma prova de fogo! No mesmo dia que regressei da Holanda, os meus pais deram-me a pior das piores notícias da minha vida! A notícia que ia arruinar, destruir todas as minhas crenças, abalar toda a minha fé, confiança, coragem e amor… Perdi a Diana, a pérola da minha vida na viagem que tinha como objectivo mudar a minha vida. E se mudou…
O meu coração parou naquele momento, deixei de pensar, o meu mundo “abanou” e eu não conseguia aguentar-me nele de pé, não sem a Diana. Em pouco tempo construímos uma verdadeira relação de amizade e carinho, de amor e partilha. Nela e em mim depositava toda a minha fé e confiança. Acreditava vivamente, com todo o meu ser que seríamos umas SOBREVIVENTES e que hoje estaríamos as duas juntas para contar a vitória da nossa dura luta contra uma doença chamada CANCRO que nos obrigou a fazer uma “pausa” nas nossas vidas. Esta doença entrou nas nossas vidas sem pedir autorização e com ela para além da tristeza, da dor, da angústia fez-nos conhecer sentimentos puros, genuínos e verdadeiros e trouxe ao de cima o melhor de nós enquanto pessoas (felizmente).
Tantas perdas meu Deus… Já perdi tanto na minha vida… Tantas pessoas que amei (e amo) e que partiram sem poder me despedir e dizer o quanto as amo e foram (e são) importantes para mim…
Depois de saber a notícia senti-me tão mal que nem consigo descrever aqui em palavras como me senti… a vida tinha deixado de fazer sentido. Nada nem ninguém fazia sentido. Nada nem ninguém me fazia apaziguar a dor que sentia dentro de mim. As lágrimas surgiam-me sem que eu as conseguisse conter. A imagem da Diana estava sempre dentro de mim, da minha cabeça. Não conseguia acreditar que a Diana já não estava aqui, junto de mim e das pessoas que amava, que já não fazia parte deste mundo.
O que me fazia sentir melhor e reconfortava era acreditar que ela enquanto anjinho estava ali do meu lado e falava com ela… sem respostas… sem o riso dela… sem a poder ver nem tocar…
Precisava de ajuda! A tristeza invadia-me. Precisava de alguém com quem falar e desabafar, alguém em quem bater, gritar. A revolta era muita! Tanta!
É muito duro viver com a saudade permanente de alguém. Nós aprendemos a viver com a saudade mas a dor da perda nunca é superada!
A Diana desde que partiu tem-me dado sinais que está comigo. Foi ela que me fez voltar a acreditar em Deus, nas pessoas, no amor verdadeiro, na cura, na vida. É por ela e por tudo o que ela representa para mim que me ergo todas as vezes que caio. Que enfrento todas as situações menos boas que a vida me apresenta, cada desafio. Foi isso que ela me ensinou e que aprendi com ela: a nunca desistir de mim, dos meus sonhos, das minhas convicções, do meu verdadeiro ser, da minha vida!
A ti Diana, à vida e à alegria de viver! Obrigada por fazeres parte da história da minha vida e do meu coração. Por ti amiga…

















