Ouvia esta música na minha infância e sempre lhe achei muita piada. Na altura ainda não sabia o que era a crise, nem percebia bem o que diziam... mal sabia eu que ia viver na pele uma grande crise... "Quem canta, seus males espanta" e eu continuo a cantar: "isto é que vai uma crise..."
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
Domingo
dia de eleições, dia de votar, de almoçar com os pais e de ver um bom filme.
Decidi alugar e ver "Cartas para Julieta", uma comédia romântica onde retrata o amor. Pelo menos, o amor como eu o vejo: único, especial, sincero, puro, verdadeiro, cómico, intemporal...
(imagem tirada da net)
A história passa-se maioritariamente na bela Itália, Verona, local onde existe a casa da Julieta (da conhecida história de Romeu e Julieta). Nesta casa (que é real) existe uma estátua onde segundo a tradição, para encontrar o verdadeiro amor, as mulheres devem passar a mão sobre o seio direito da estátua de Julieta localizada no pátio interno da casa.
Neste pátio existe também um muro onde as mulheres colocam mensagens de amor, normalmente com questões para que Julieta resolva o dilema. Como Julieta já morreu, todas as cartas são respondidas pelo Giulietta Club (www.julietclub.com) , uma associação voluntária de cidadãs de Verona que se encarregam de responder às cartas do mundo inteiro. E assinam, "a secretária de Julieta". Não é tão giro? Acho o máximo!
O filme retrata tudo isto! A busca de uma paixão perdida (com 50 anos), a história de um novo amor numa atmosfera linda, apaixonante e envolvente.
Depois de ver o filme fiquei com muita vontade de ir com o meu anjinho visitar a cidade dos namorados (Verona em Itália) e viver momentos mágicos e únicos...
sábado, 22 de janeiro de 2011
O meu maior sofrimento...
(imagem tirada da net)
é o FRIO!
Não sei se por estar mais magra, se por não ter "vivido" os 2 últimos Invernos por estar doente, se por ser uma questão psicológica, o FRIO está a dar cabo de mim.
A minha maior preocupação (para além da alimentação) é a roupa que visto e a quantidade de roupa que visto para não sofrer deste mal. São camisolas sobre camisolas, casacos, cachecóis, gorros e até luvas. Tudo o que me possa aquecer e manter quente durante o dia. A parte pior é de manhã... faz mesmo MUITO FRIO!
Ao longo do dia mantenho-me activa para que este "mal" passe rápido: os chás quentes e os passeios pela cidade à hora de almoço têm sido a minha salvação. No final do dia, quando chego a casa muitas são as vezes que preciso de tomar um banho bem quente ou então vestir o meu kit de casa (bem quentinho) para que o meu corpo, os meus músculos voltem a estar relaxados. É que com o frio ando durante todo o dia "encolhida" e este facto faz-me sentir dores no corpo.
Porque o frio é muito e estava a ser insuportável, este ano decidimos investir num aquecedor para a sala aqui em casa. Em muito tem ajudado, mas o cuidado tem de ser redobrado devido às mudanças de temperatura nas restantes divisões.
O saquinho de água quente na cama também resulta.
Por tudo isto e muito mais não me falem em passeios e viagens nesta altura do ano para locais ainda mais frios. Eu quero é CALOR! SOL!
O sol traz-nos muitos benefícios tais como: fortalecer os ossos do esqueleto humano, regular a pressão arterial, prevenir certos tipos de diabetes, transportar vitamina D para o sangue, fortalecer a pele e o sistema imunológico.
Estou à espera... enquanto isso contínuo a fugir à gripe...
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A melhor sopa do MUNDO...
são as minhas! Sem dúvida nenhuma e modéstia à parte (claro!)! Hihihihihihi
Aqui em casa o prato principal é SOPA, temos sempre sopinha, mas nem sempre tenho vontade de a fazer... (confesso). De 2 em 2 dias (mais coisa, menos coisa) fazemos uma sopa, sempre diferente.
Tive de por os neurónios a pensar e arranjar uma maneira de ter sempre os legumes prontos para a fazer. Depois de algum "fumo" encontrei a solução: Uma vez por semana vamos à frutaria comprar legumes e fruta fresquinhos, chego a casa e dispenso algum tempo a lavá-los, cortá-los e colocá-los em sacos para congelar! Tchanam!!! Assim, tenho SEMPRE legumes prontinhos e arranjadinhos para as minhas sopinhas. Depois é só dar "asas" à imaginação e variar.
Deixo aqui a receita da Sopa da Andreia. Tem o meu nome porque fui eu que a inventei à pouco tempo! Não tinha cenouras em casa, então tive que me "desenrascar" e o resultado foi muito bom e saboroso. Experimentem! Aqui vai a receita:
1 alho francês
1 courgete
1 cebola
2 dentes de alho
2 batatas
1 cenoura (se quiserem e tiverem! Eu já fiz sem cenoura e ficou muito boa)
2 medalhões de pescada
Lavam bem os legumes, cortam e metem tudo numa panela com sal e água (a água é só até cobrir os legumes para não ficar muito líquida). Depois de tudo bem cozidinho tritura-se tudo muito bem até ficar reduzido a puré. Apaga-se o fogão ou a placa e colocam-se delícias do mar congeladas e cortadas (assim elas ficam rijinhas e não se desfazem) e um bocadinho de azeite.
Bom Apetite!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Coincidências
O meu blog para além de me aliviar a alma só me tem trazido alegrias! Muitas alegrias! Fi-lo com o objectivo de dar esperança, conforto e animo a quem já passou, está a passar ou vai passar por alguma dificuldade (seja ela qual for).
A quem vive ou conhece alguém que viva com alguma limitação.
A quem acha que não é suficiente, capaz de ultrapassar um obstáculo. A quem está cansado de lutar e de viver. A quem não consegue ver uma luz ao fundo do túnel quero com o meu blog (o meu maior orgulho) fazer chegar essa luz, essa esperança, essa força.
Enquanto estive internada, vi, ouvi, vivi muitas experiências. Enquanto estive internada falaram-me de outros casos de outras doentes que também elas ali estiveram, na cirurgia. Graças ao meu blog comecei a ter contacto com também uma paciente da cirurgia das mulheres do Hospital dos Covões, a Andreia (que por coincidência tem o mesmo nome que eu :D )
A Andreia por motivos diferentes do meu, também foi submetida a uma gastrectomia total. Em processos diferentes passámos e passamos por situações muito semelhantes. Não fico feliz por saber que outras pessoas passaram pelo mesmo que eu, mas não sou hipócrita ao ponto de dizer que não gostei de conhecer a Andreia (ainda que virtualmente). Gostei muito e acho engraçado tê-la encontrado por este meio. Partilhamos as nossas histórias, as nossas vivências e conhecimento.
A Andreia encontrou o meu blog pesquisando na net informações sobre a gastrectomia total. E tem razão no que diz! Só existe textos muito técnicos que pouco ajudam e esclarecem quem passou e passa por uma situação destas.
Quero aqui mostrar, demonstrar que é possível sobreviver a um cancro e que é possível viver sem estômago. Apesar de actualmente ainda me encontrar a recuperar de uma cirurgia (que ainda não me permite fazer tudo o que desejo - yoga, ginástica, andar de avião, ...) estou a fazer de tudo para ultrapassar tudo e viver uma vida o mais normal possível.
Tinha saudades, muitas saudades da minha vida! Não é perfeita, nunca foi mas é a minha! E ÚNICA!!
Tudo a seu tempo...
(imagem tirada da net)
Deixo aqui um Girassol para ti! Ele representa a força positiva do sol, transmitindo calor, força e integridade. O Girassol tem o significado intrínseco de adoração à vida, representando a glória, paixão e dignidade...
A sua cor representa felicidade, alegria, orgulho e amizade e a sua postura sugere a altivez mantida com alegria, integridade e respeito.
sábado, 8 de janeiro de 2011
E o meu peso certo é...
(imagem tirada da net)
Desde que fui submetida a 2 cirurgias emagreci algum peso... Já cheguei a pesar 67 Kg o que era um exagero, depois o meu peso mantinha-se nos 62 Kg.
A verdade é que sempre desejei ser magra, sempre andei em dietas "maradas" com esse objectivo e agora que estou magra não me sinto bem... Ainda não tive tempo para me adaptar e habituar ao meu novo peso e ao meu novo corpo. A roupa que uso ainda é a mesma. Uma ou outra nova adequada ao meu novo estado.
Na última consulta que tive com a minha querida doutora em Novembro, falei-lhe em como estava preocupada e queria aumentar o meu peso 2 ou 3 quilitos. A resposta foi que o meu peso neste momento era o ideal e que era muito difícil aumentar o peso. Ainda me falou em estudos que foram efectuados que comprovaram que a única maneira de pessoas obesas perderam peso e o manterem era fazer uma gastrectomia total.
Aceitei... Agora estou a conformar-me com tal facto e a adaptar-me. para tudo é preciso tempo!
Ainda bem que tenho pessoas à minha volta que me estão sempre a lembrar o quanto eu estou mais magra. Não fosse bastante as perguntas "qual é o teu peso agora?" também tenho de ouvir "epah, qual é agora o teu número de calças? Reduziste muito, não foi?" e ver as caras fechadas de profundo pesar como se fosse uma tragédia nacional.
Pois bem meus queridos e minhas queridas, como a internet é uma ferramenta maravilhosa fui pesquisar afinal qual é o meu peso certo? Actualmente peso 57 Kg e meço 1,69. O meu índice de massa corporal é...
19,96 = O seu IMC significa que você tem um peso Normal. Felicitações! O seu Peso Ideal é entre 52.9 Kg e 71.4 Kg, de acordo com o Organização Mundial de Saúde (OMS). O seu IMC é ideal, indica que se encontra dentro dos parâmetros aceitáveis. Do ponto de vista da saúde, o seu peso é satisfatório e não são necessárias alterações. O seu peso está adequado à sua altura, o que parece ser uma indicação bastante saudável.
Palavras para quê?
Para mim o importante é sentir-me bem e para isso espero recuperar o quanto antes e começar a praticar algum exercício físico e retomar a minha yoga. Até lá vou continuando a ter toda a atenção do mundo com a minha alimentação e tomar as minhas vitaminas.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Mea Culpa
Não suporto aquelas que passam a vida a queixar-se, a fazerem-se de coitadinhas, de vítimas e que passam um atestado de burrice a todos os outros. Não suporto pessoas falsas, fingidas, mentirosas e hipócritas. Não suporto pessoas que tudo têm para serem felizes e passam a vida a chorar e a queixarem-se.
Aprendam a viver com o que têm e o que têm já é MUITO (acreditem!)
Enquanto isso eu vou continuando a treinar a minha paciência, ok?
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Mangostão - o fruto
Este Natal foi fantástico!
Diferente de todos os outros por todos os motivos e mais alguns. Foi super divertido acima de tudo!
Este Natal fui surpreendida com um presente vindo directamente do Congo, o fruto de mangostão. Como já tinha referido em posts anteriores aqui no meu blogue andei durante algum tempo a tomar o Xango - sumo de mangostão que posso garantir (agora que comi o fruto original) que nada tem a ver com o fruto!
O mangostão é delicioso! Tem uma textura que faz lembrar uma anona e um sabor... tão docinho, tão agradável e tão bom. Este fruto é rico em xantonas e riquíssimo em antioxidantes o que é óptimo para a saúde e bem estar de qualquer pessoa.
Confesso que no início fiquei um bocado "perdida" porque não sabia como abrir o fruto de mangostão... Então pus os neurónios a funcionar e com um cutelo da cozinha parti ao meio e... comi! Hum... que delícia...
Obrigada Liliana! Muito obrigada por me proporcionares conhecer e saborear este fruto tão famoso e tão benéfico.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Acredito

que o pior já passou e que o novo ano que aí se avizinha vai trazer tanto para mim como para todos muita saúde, pois com ela tudo se faz e tudo se consegue.
Desejo muita felicidade e essencialmente muita paz. Actualmente vive-se em constantes "guerrinhas" que não trazem nada de novo e nada de bom para ninguém. Muito pelo contrário, só prejudicam o nosso bem estar físico e emocional.
Durante esta minha etapa muitas vezes foram as vezes em que caí e caí dura! Muitas foram as vezes que me estava a erguer e levei rasteiras... Mas nunca desisti e não desisto! Recuso-me! Se há dias em que levantar-me da cama é um sacrifício, há outros em que é uma bênção.
O passado já passou e com ele fica a aprendizagem de que nada somos e nada temos. Que tudo é um "abre olhos" e é tudo passageiro. Também aprendi que fomos feitos para suportar tudo. Que nada acontece ao acaso! Que nada é impossível e que milagres existem!
FELIZ ANO NOVO repleto de muitos sonhos, objectivos, paz, amor e muita, muita saúde.
"Enquanto há vida, há esperança!"
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Nova Cirurgia
Recuperei da gastrectomia total (pelo que me dizem) muito rapidamente. Foi difícil, mas não impossível. Depois de algum tempo de baixa médica resolvi retomar o meu trabalho e voltar à minha vida normal. Estava farta e cansada de casa.
O meu pensamento estava constantemente no meu tipo de alimentação, se tudo o que comia era bom ou mau e se me trazia consequências. Estava a ficar maluca sempre a pensar no mesmo. Até que Deus fez-me perceber que o que tem de acontecer, acontece e não há nada que possamos fazer para contrariar os seus desígnios:
Passado algum tempo após retomar o meu trabalho, senti um desconforto e mais tarde uma dor do meu lado esquerdo da barriga. A minha alimentação era (e é) a melhor, levava uma vida calma e sossegada, andava super feliz porque finalmente e passados 2 anos pode voltar a ir à praia, ia à casa de banho normalmente e sentia-me lindamente. A dor intensificou e liguei à minha médica que me disse para tomar um Bem-u-rom e no caso de não passar para ir ao hospital. E foi o que fiz! Estive um dia inteiro no hospital de Leiria. Fui transferida para o Hospital dos Covões onde tive internada uma semana a fazer medicação para uma inflamação no intestino. A dor melhorava mas persistia. Ao fim de uma semana, deram-me alta. Neste período a minha médica encontrava-se de férias mas sempre em contacto comigo. Foi espectacular! (Como sempre!)
Regressei a casa e passados 10 dias a dor intensificou-se tanto que tive de chamar o 112. Pensava que morria! Não tinha posição de maneira nenhuma, não havia nada que me aliviasse as dores. Toda eu tremia e transpirava, a minha cor devia ser branca (a julgar pela cara do meu anjinho e dos meus pais onde via terror). Fui para o hospital de Leiria onde passei a noite toda em grande sofrimento, com frio, tremores e vómitos. Não estava em mim! Só rezava para que as dores passassem… Mas não passaram! Fui transferida mais uma vez para o Hospital dos Covões com o diagnóstico de linfoma. Estavam todos parvos!!! Ainda tremi 5 minutos, mas depois dei por mim a ralhar comigo própria: “Como é que pode ser oh minha estúpida! Já tiveste essa merda e nunca tiveste estes sintomas! Era bom que fosse assim! Tem calma pah! Não é! Não é! Não é!”
E não foi! Quando a minha médica chegou ao pé de mim na urgência do hospital parecia que estava a dançar o “rebolation”. O chão do hospital era todo meu. Já nem sabia como estar com tanta dor. Deitaram-me numa maca e mal vi a Dr.ª Licínia, estava de rabo para o ar com a cabeça enfiada entre os braços. A voz dela estava trémula… Só lhe dizia que já não aguentava mais! Deram-me uma injecção, daquelas potentes em que uma pessoa sente-se a voar, fizeram-me uma TAC depois uma eco e fui para o bloco operatório novamente. Tive um espessamento numa ança do intestino e tinha de ser operada imediatamente. Foi-me diagnosticado na hora certa! Mais tarde e…
Correu tudo bem! Voltei à cirurgia das mulheres onde todo o pessoal ficou super admirado. Estive internada alguns dias e psicologicamente foi muito, muito difícil. Não estava a fazer conta e não estava preparada. Muitas foram as noites em que chorei naquela cama de hospital. Não era justo!
(imagem tirada da net)
Obrigada a todos os que tiveram comigo, a todos os que me apoiaram neste momento tão difícil e o meu muito, muito obrigada àquelas pessoas que estiveram sempre do meu lado!
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
FELIZ NATAL

O Natal tem muitos significados.
Para mim o Natal é o momento de partilha, de encontro e de amor. Natal para mim é todos os dias!
O consumismo e a troca de prendas só vem desvirtuar o sentido do Natal. Numa era como a nossa em que (a maioria das pessoas) podem comprar diariamente o que precisam ou gostam, que todos os dias são presenteadas e se presenteiam, não vejo o sentido da troca de prendas. Vejo sim a necessidade diária de ajudar os mais necessitados, os que mais precisam que infelizmente cada vez são mais. O estado actual do nosso país, da nossa economia faz com que cada vez mais haja mais desemprego, mais insegurança e mais dificuldades no seio das famílias.
No entanto e contrariamente ao que era esperado (pelo menos por mim), este ano foram gastos quase 800 milhões de euros em compras através de multibanco e foram levantados cerca de 600 milhões de euros... (ver notícia completa aqui)É caso para se perguntar: "Onde está a crise?"
Este ano e porque estou viva e porque sim, vou festejar o Natal em minha casa com a minha família! Acreditem que é o melhor presente que posso ter!
Hoje também é um dia especial para o meu mano que faz aninhos... e como tal vamos festejar o seu aniversário. Acima de tudo espero divertir-me muito esta noite e espero que todos se divirtam!
Desejo a todos um Feliz e Santo Natal na companhia dos que mais amam!
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Viver a Vida
Alguém se lembra desta telenovela brasileira? Eu lembro e relembro e jamais irei esquecer! A novela foi emitida na altura certa da minha vida, cada episódio era uma aprendizagem e uma verdadeira lição de vida. Tanto sofrimento neste mundo, tantas pessoas com tantas limitações que tiveram e têm força para ultrapassar todos os obstáculos…
Quem era eu para me fazer de coitadinha, de vítima perante os factos que a vida me apresentava.
A novela contava a história de Luciana, uma rapariga que ambicionava ser modelo profissional, muito mimada e muito embirrante que viu o seu sonho ser interrompido num acidente de carro. Ficou tetraplégica e teve de lutar primeiro para aceitar o seu novo estado de saúde, segundo pela sua vida e reabilitação e terceiro por ter uma vida “normal” com as suas limitações.
No final de cada episódio era apresentado um caso real e verídico de pessoas que conseguiram ultrapassar, superar um ou vários obstáculos e de como se vive a vida, ou melhor, como se luta pela vida com uma força que não imaginavam possuir e acabam por encontrar uma solução.
Assim, como eu iria encontrar a solução para a minha!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Gastrectomia Total

Foi-me retirado o estômago na totalidade, ou seja, ligaram-me o esófago directamente ao intestino delgado como está representado na imagem em cima.
A principal função do estômago é dar continuidade à digestão, iniciada na boca e finalizada no intestino delgado; funciona também como um órgão de armazenamento, permitindo que a ingestão de uma refeição possa ser feita apenas duas ou três vezes por dia, se isto não fosse possível essa ingestão teria de ser feita a cada 20 minutos. É no intestino delgado que ocorre a digestão e absorção de nutrientes, mas quando os alimentos aí chegam devem estar bem triturados e uma vez que não tenho estômago tenho de o fazer com a boca, com os dentes.
Durante os primeiros dias após a cirurgia, fui alimentada por via endovenosa, ou seja, através de uma veia com um liquido pastoso branco que tem tudo o que é essencial.
Eu comecei a ingerir líquidos após o 10.º dia após a cirurgia. Nos últimos dias que estive internada tive o apoio da Dr.ª Anabela, nutricionista no hospital que me deu todas as dicas e conselhos essenciais a uma vida e alimentação normal. Fiquei muito contente pois fiquei a saber que o que tinha de fazer era tudo o que já fazia. Alimentação cuidada e saudável, evitar os doces e principalmente poder comer de tudo. Nada me era proibido ao contrário do que me diziam.
Como me foi removido todo o estômago, não consigo absorver a vitamina B12, necessária para ter sangue e nervos saudáveis e, como tal, preciso de levar injecções desta vitamina.
As dificuldades que tive e que ainda tenho, são na sua maioria temporárias. Tenho consciência que o bem ou mal que fizer (neste caso ingerir) serei eu própria a sofrer as consequências. A minha maior dificuldade é a tolerância ao leite e não posso (de todo) ingerir alimentos muito condimentados, especialmente alimentos com pimenta! Tento seguir uma alimentação baseada em cozidos e grelhados mas não evito de todo os assados, os fritos, os guisados, enfim, tudo! Porque tudo faz falta ao organismo. Nem sempre nem nunca e vou ter de me habituar a todo o tipo de alimentos. O segredo é mesmo a variedade e comer (sem falta) de 2 em 2 horas. Se não o fizer fico zonza e toda a tremer. Nem sempre dá jeito, mas é o meu novo modo de vida e é impensável não o fazer.
Comer devagar é outro cuidado que tenho de ter! Náuseas, diarreia e tonturas, depois de comer, são alguns dos sintomas que tenho quando os alimentos e os líquidos chegam ao intestino delgado muito depressa. É uma má disposição que só quero cama e sossego!
Só recentemente descobri o que é o síndrome de dumping tão falado em pessoas como eu, gastrectomizadas. Começa com (tipo) uma dor de estômago, má disposição, muito frio, tremores e vómitos. É horrível pois não consigo ter controlo sobre o meu próprio corpo. Alimentos que contenham grande quantidade de açúcar podem piorar estes sintomas.
Comer pequenas refeições, fraccionadas, durante o dia, evitar alimentos que contenham açúcar, e comer alimentos ricos em proteínas. Para poder reduzir a quantidade de fluidos que entram no intestino delgado, aconselha-se a não se ingerir líquidos durante as refeições o que para mim é bastante difícil pois é justamente nesta altura que tenho muita sede.
A minha vida neste momento é feita em função da minha alimentação. Tudo gira à volta dela. Todos os dias preparo o meu almoço, lanches (meio da manhã e meio da tarde) e jantar. Todos os dias sou responsável por mim própria! Posso controlar tudo excepto a altura em que estou menstruada...
Vivo bem! Vivo um dia de cada vez e tento que seja o melhor possível. Nem sempre é fácil e muitas vezes desespero e choro (sou humana!) mas nestas alturas Deus dá-me pequenos sinais em que me mostra que tudo vale a pena, que a vida vale a pena.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
13

Foi o número da minha cama no hospital. Número de Nossa Senhora de Fátima. Número que interiorizei como o regresso a minha casa, à minha vida.
Durante o tempo que estive internada proibi as visitas no hospital. Proibi que me fossem ver. Não porque não gostasse de receber e de ver pessoas que gosto, mas porque não me sentia com forças para as receber. Tinha medo dos olhares, das reacções, dos diálogos...
Passei a maioria dos dias e noites com uma sonda enfiada que me fez perder muitas noites de sono, que me fez chorar muitas lágrimas e me fez desesperar (como nunca…). A sonda tinha uma rosca bem no meio da minha garganta, que me magoava e feria cada vez que falava ou me mexesse. Passei muito tempo sempre deitada na mesma posição, de barriga para cima, e depois de algum tempo já me doíam as costas e as pernas. Não podia mudar a posição do pescoço, ao mínimo movimento a sonda magoava mais e mais…
Um dia, a minha querida médica entrou no quarto e perguntou-me: “Andreia, está tudo bem?” devia estar com uma cara de desespero… Ao qual eu respondi quase a chorar:” Não! Estou no meu limite! Já não aguento mais esta sonda! Magoa-me muito! Por favor…”. Naquele mesmo instante, aproximou-se de mim e pediu-me para respirar bem fundo. Obedeci imediatamente e num instante senti a sonda a sair de dentro de mim. Que alívio! Que sensação de alívio! Que felicidade!
Restavam os drenos… não vou falar do episódio da retirada dos meus drenos porque estou a tentar apagar da minha memória a dor, a raiva, a revolta que senti nessa altura. Eu sempre disse que pior que a dor física é a dor da alma! Esta última custa muito, muito mais a cicatrizar! Chorei, gritei, berrei, perdi a noção de tudo! Hoje, depois de já tudo ter passado sinto que foi tudo uma GRANDE aprendizagem.
Por vezes dou por mim a queixar-me de pequenas coisas que à vista do que já passei não são NADA! NADA mesmo! E não aguento ouvir as pessoas a queixarem-se, a dizerem palavrões, a revoltarem-se, a magoarem, a serem egoístas… Sinto-me sem paciência e intolerante.
O meu maior medo (por incrível que pareça) foi pensar que nunca mais iria conseguir levantar-me daquela cama. Sempre que tentava, a cabeça andava à roda, parecia que andava numa montanha russa… Tanto tempo deitada… Devagarinho, ia levantando a cabeceira da cama, cada vez mais e mais alta de modo a habituar-me.
Quando já me senti mais ou menos preparada pedi para me levarem a tomar banho na cadeira de rodas. Tão bom sentir a água em cima de mim. Uma vez ouvi dizer que: ”é durante o banho que podemos falar com o nosso anjo da guarda. É nesta altura que ele nos ouve…” E fui o que fiz durante o tempo do banho, de me terem lavado o cabelo 2 vezes… Que saudades…
Dia 11 de Março de 2010, a sua santidade o papa estava em Portugal e depois de pedir tanto a Deus, a Nossa Senhora de Fátima, aos meus anjinhos e sem estar à espera, tive alta! Podia finalmente ir para casa, para a minha casa…
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Sinais e sentimentos…

Não sei o dia em que fui internada, nem sei o dia em que fui operada.
Relembro e recordo o dia em que fui internada, no carinho, na atenção que a minha querida médica me deu e como isso me fez sentir bem e em paz e como foi difícil deixar os meus pais e vê-los através dos vidros da porta que me levava até ao quarto onde iria ficar. No entanto e com o coração apertado despedi-me deles a sorrir com a certeza que tudo iria correr bem.
O meu anjinho acompanhou-me até ao quarto e despedir-me dele foi a parte mais difícil… muito mais difícil! Saber que iria ficar ali fechada, separada dele não sei por quanto tempo… As dúvidas e as perguntas pairavam na minha cabeça. Será que iria voltar a vê-lo? Será que iria esperar por mim? Já perdi tanto nesta vida… Iria perder o meu anjinho? Nessa altura senti uma dor e tristeza profunda e não consegui conter as lágrimas… Que saudades eu tinha de ti amor, que falta tu me fazias… Por ti e por mim tinha de ser forte! Pela minha vida tinha de conseguir e comecei a rezar…
Nessa altura entrou uma senhora no quarto que dirigiu-se a mim. Eu conhecia-a mas não sabia de onde, fazia um esforço tão grande para me lembrar… A senhora começou a fazer-me perguntas e eu respondia-lhe. Até que me lembrei! A D.ª Maria tinha realizado uma endoscopia alta antes de mim e era desse exame que me lembrava dela porque se tinha sentido mal e o marido foi chamado para a ir buscar à sala de exames. Tinha sido submetida a uma gastrectomia total (remoção total do estômago) pela Dr.ª Licínia à duas semanas atrás e estava a correr tudo bem.
Foi um sinal de Deus que me encheu de fé, esperança e alegria. Não era o primeiro sinal de Deus que recebia desde que comecei esta jornada e eram estes pequenos sinais que me garantiam, davam a certeza de que tudo iria correr bem.
Recordo de tudo na perfeição! A preparação para a cirurgia, a primeira noite, a entrada no bloco operatório, acordar na sala do recobro com a voz de um anjo, ver os meus pais e o meu anjinho quando fui para o quarto, quando acordei e tive a noção como estava… Não sentia dores nenhumas, apenas desconforto. Não me assustei com a sonda, com os drenos, com nada… Sentia-me calma, serena e o que mais desejava era ver os meus pais (os meus verdadeiros heróis) e o meu namorado (que tanto amo). Depois de os ver a entrar pela porta do quarto, o meu mundo voltou a iluminar e tudo fazia sentido (outra vez)! A vida fazia sentido!
Na primeira visita que me fizeram em primeiro entrou a minha mãe, depois o meu anjinho e por ultimo o meu pai… SEM BIGODE! Não me consegui conter e desatei a rir, os pontos da minha barriga iam rebentando todos. Lol! Estava o máximo e foi a maior surpresa que tive em toda a minha vida (a única e ultima vez que o meu pai cortou o bigode foi quando o Sporting foi campeão... já lá vai algum tempito…) ADOREI, AMEI! O meu pai rejuvenesceu, já lhe conseguia ver os lábios e o seu lindo sorriso e esse gesto deu-me tanta alegria… OBRIGADA PAI!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
O meu destino

Depois de realizar duas endoscopias para confirmar o que se estava a passar com o meu estômago, fui chamada para falar com a minha médica hematologista. Foi uma manhã de nervos e ansiedade e uma tarde de irritação e stress! Epah porque é que não dizem logo as coisas como elas são e não se deixam de rodeios? É o que tem de ser e é! E eu digo e repito: “Prefiro uma dura realidade a uma grande mentira!”. Neste caso ninguém me mentiu mas também não me disseram logo tudo, não me abriram o “jogo” até esta consulta…
Tinha um tumor no estômago e este órgão tinha de ser retirado na totalidade! Não se punha a possibilidade de retirar só uma parte porque todo ele estava doente, danificado. Na minha cabeça só ouvia “Tirem! Tirem!”. Se isso significava viver, retirem o que for necessário. E assim foi!
Fui transferida para a cirurgia e apresentada à minha querida médica, Dr.ª Licínia. Desde o primeiro momento que a vi, adorei-a e isso fez toda a diferença! A sua calma, a sua segurança, a sua simpatia, a sua humildade fez-me NUNCA ter medo, nem receio de NADA! Desde a notícia até à realização da cirurgia, fui a algumas consultas ao hospital e fiz alguns exames necessários para a realização da mesma. A data da cirurgia foi-me comunicada com pouco tempo de antecedência uma vez que o meu caso teve de ser falado e discutido entre médicos. E por mim a data era indiferente! Já estava mais que preparada!
As únicas pessoas que souberam a data da realização da mesma foram os meus pais e o meu anjinho porque sempre me acompanharam em tudo e não havia maneira de não saberem. Mas se me dessem a escolher e se fosse eu que mandasse ninguém saberia! Não imagino a angústia, o desespero, os nervos, o stress que passaram enquanto estive adormecida naquela sala de operações. Não consigo e não quero imaginar o sofrimento dos que me mais amam naquela altura. Não suporto sequer imaginar.
Não interessava a data, o dia, a hora! Interessava sim, o final. Saber que tudo tinha corrido bem e que eu estava bem! Isso era o mais importante!
Sempre me preocupei tanto com os outros e com os sentimentos dos outros que me esqueci de mim própria neste processo todo. Para os meus pais foi um horror! Olhar para a cara deles era ver o desalento, a tristeza, a desilusão, a revolta… Depois foi dar a “terrível” notícia aos meus avós… Essa missão ficou para os meus pais, mas depois coube-me a mim ligar-lhes (uma vez que estava a ter uns fantásticos dias no Norte do país) a dar-lhes força e coragem.
Pois… era eu que as precisava de ouvir naquela altura e então fiz das minhas palavras, as palavras para mim própria… Estranho, não é? Criei o meu mundo e não deixei que nada, nem ninguém entrassem nele com dramas, choros e cenas lamentáveis! Eu não sou nenhuma coitada! Eu não sou nenhuma vítima! Eu sou uma SOBREVIVENTE!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O inevitável!
Os restantes meses corriam da melhor maneira possível. Sentia-me feliz, mas angustiada com a minha saúde. Um dia quando saia do trabalho disse à minha coordenadora “sinto como se tivesse uma bomba relógio dentro de mim”. Era assim que sentia em relação ao meu estômago, à minha saúde. Por muito cuidado que tivesse com a minha alimentação, em fazer exercício físico, yoga, tratamentos de CND e também com a minha vida sentimental resolvida, bem resolvida, eu sabia e sentia que não ia ficar por aqui. Não me perguntem como, mas eu sabia… sentia.
O meu anjinho tem uma licenciatura em saúde e desde que entrou na minha vida acompanhou-me sempre nos exames (endoscopias) e consultas e ajudou-me bastante a perceber e compreender mais o meu corpo. Quando realizava endoscopias as notícias nunca eram muito animadoras: estômago deformado com muitas cicatrizes… devido aos intensos tratamentos de quimio e radio o meu estômago ficou num estado lastimável, mas sobrevivia.
Em Março de 2010 depois de fazer uma endoscopia alta e de me terem retirado várias amostras para biopsia, ligaram-me dias depois para repetir o exame. No dia em que recebi o telefonema estava com a minha prima (autora dos sonhos) no hospital de Leiria no “II Colóquio de Enfermagem no Hospital Santo André (Leiria)” onde a minha primaça linda fez um testemunho real e impressionante do que passou com a perda e partida da sua princesa, do seu bebé que agora é uma estrelinha, um anjinho. O testemunho teve como objectivo alertar os profissionais de saúde a serem mais cuidadosos e humildes na maneira como tratam e lidam com os doentes.
Foi um dia muito especial para as duas. Naquele dia ambas tivemos de lidar com realidades bem duras e distintas da nossa vida que nos fizeram sofrer bastante, mas que nos fortaleceram enquanto mulheres e seres humanos. Era algo que estava destinado! A minha prima falar do que lhe ia na alma e elevar o espírito e a memória do seu anjinho e eu ter a confirmação do que já me estava destinado acontecer desde que a doença me apareceu.
Dias mais tarde, fui ao hospital fazer mais uma endoscopia para ver o que era afinal a coloração anormal que me tinha aparecido no meu estômago e confirmava-se! Um tumor no estômago! O cansaço exagerado e as más disposições já tinham uma razão de existir!
Não havia nada a fazer! Arregaçar as mangas mais uma vez e ir à luta sem dramas, sem desilusões, sem lágrimas, sem muitas questões.
“Era o que tinha de ser!” e eu mais uma vez tinha o apoio incondicional dos meus pais, da minha família, dos meus amigos e desta vez reforçada com o amor, o amor, a compreensão e o companheirismo do meu anjinho.
Qual seria o meu destino?
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
SURPRESA - Green Day
(o meu mano, o meu anjinho e eu - Alavarito e Rosemary tenham calma que eu estive a àgua!! O copo era só para enganar!!)
Em Setembro de 2009, durante uma sessão de cinema fui presenteada com um bilhete para ir assistir a um concerto no pavilhão Atlântico pelo meu mano e o meu anjinho. Preocupada ainda com a gripe A e outras constipações e outras doenças mais…, os meus meninos tiveram o cuidado de comprar bilhetes no 1.º balcão de maneira a estar o mais afastada e protegida possível.
Numa segunda-feira, tirei a tarde de férias para ir para o Parque das Nações em Lisboa onde ia decorrer o concerto. O meu primeiro grande concerto!! Estava tão excitada que nem cabia em mim de contente. Foi tão bom…
Fomos mais cedo e jantámos no Centro Vasco da Gama, mandei sms ao meu primo Pedro para nos encontrarmos e revi a minha prima Bruna. Ainda encontrámos algumas pessoas amigas aqui da zona que tal como nós se deslocaram a Lisboa para assistir ao concerto. O tempo estava óptimo, a companhia magnífica e eu sentia-me outra pessoa.
(o meu mano e eu)
Os meus sentimentos durante o concerto foram diversos e variados… Sentia-me muito feliz e alegre por estar ali e agradecia a Deus por aquele pequeno grande momento. Também me sentia emocionada e comovida por ver o meu mano e o meu namorado tão bem e felizes e por ver aquela multidão de pessoas todas unidas a cantar as mesmas músicas, a dançarem… Não sei explicar, não consigo…
Foi muito bom e vários foram os momentos em que dei por mim a chorar durante o concerto e a agradecer por aquele momento…
Foi uma GRANDE e inesquecível surpresa! Obrigada!
(o meu anjinho e eu)
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Uma Decisão MUITO Feliz
Depois que regressei do Algarve vivi dias e momentos muito felizes ainda que distante (fisicamente) do meu anjinho. Sentia-me tão bem e tão feliz!
A minha vida decorria normalmente, com todos os cuidados com a minha alimentação (rica em ferro, legumes e fruta), cuidado com o meu corpo (fazia ginástica 2 vezes por semana no Outeiro da Fonte e ainda fazia caminhadas e andava de bicicleta com a minha estrelinha. Era fantástico!) e as consultas de rotina e exames (endoscopias) no Hospital.
Nesta altura tive consultas de ginecologia porque era importante e porque numa TAC viram qualquer coisa esquisita nos ovários. Não passou tudo de um susto! E claro, consultas no dentista devido ao aparecimento de uma infecção num dente o qual teve de ser extraído… mazelas dos vários tratamentos…
A minha cabeça não estava virada para a minha saúde! Que chatice sempre a falar do mesmo! Agora estava na altura de me dar uma oportunidade (a oportunidade merecida) de ser Feliz e de pensar em mim. Ainda que não conseguisse pelo menos tentava. (É para isso que serve a vida, né?)
Só o consegui com a ajuda do meu irmão, primas e amigas. Não queria sofrer novamente, mas tinha de me dar essa chance.
Durante algum tempo reservei só para mim esta relação, este meu “segredo”. Era um direito que eu tinha! E tenho! Direito à minha privacidade, direito a ter as minhas opiniões e atitudes (somente minhas), direito a ter o meu lugar, o meu espaço, direito a ter pessoas na minha vida e não as partilhar, direito a ter os meus segredos, direito a mim e à minha vida. Foi o melhor que fiz e não me arrependo de nada! Se não desse certo não tinha de sofrer ainda mais a ouvir constantemente “eu bem te avisei” ou “devias de ter tido mais cuidado” ou ainda “tu não sabias como ele era?”.
Arrisquei TUDO e arriscaria TUDO outra vez pelo meu anjinho porque desde o primeiro dia que nos conhecemos que me demonstra e prova o que sente por mim e eu sinto que é verdadeiro e real!
“Para cada um de nós, existe alguma pessoa especial” do livro Só o Amor é Real de Brian Weiss, um livro magnífico e surpreendente que aconselho vivamente a lerem.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
E um anjo desceu dos céus…
Não tinha férias marcadas! O meu objectivo era passar o Verão (mês de Agosto) todo a trabalhar de maneira a ele passar bem depressa sem eu dar por nada.
Recebi um convite da minha prima para passar uma semana no Algarve, o qual neguei imediatamente. É que nem pensar ir para um local onde abundava o calor, areia, mar, em pleno mês de Agosto… todas as coisas que eu amo e não podia ter. Era uma tortura e ficava pior do que estava. NÃO!
A minha prima insistiu… Ficávamos num apartamento com piscina, num sítio calmo, ideal para descansar e mais (muito mais) importante... saía daqui, apanhava outros ares, via outras pessoas, outros locais… NÃO!
O que me fez mudar de ideias foi o facto de poder passar mais tempo com as minhas primas, o meu irmão ir comigo e sair daqui ainda que fosse por uma semana. E fomos! Ainda me lembro do nervoso miudinho na barriga, de fazer a lista de coisas para levar e as malas. Que máximo!
Antes de ir fui a uma livraria comprar um livro para me entreter, afinal ia passar tanto tempo livre fechada em casa… Escolhi o livro (ou melhor, o livro escolheu-me) “Vai Valer a Pena”, do psicólogo Joaquim Quintino Aires. O livro conta a história real de 9 mulheres, em diferentes momentos das suas relações que abriram o coração: 3 que sofrem em silêncio, 3 que decidiram libertar-se de relações dolorosas, 3 que encontraram a felicidade depois da separação. Ao relatar as suas histórias, o psicólogo conta uma história bem maior: a do sofrimento e a da esperança do amor… porque começar de novo, “Vai Valer a Pena”. “Será?” Era a pergunta que me fazia, querendo acreditar que sim! “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

O local era fantástico, a companhia perfeita e o livro o mais adequado para mim (naquela altura que tinha o coração desfeito). Estava fechada para o amor, não queria saber de ninguém e não queria que ninguém soubesse de mim. Queria estar só, ficar só e ser feliz na solidão, mas ter uma vida de verdade, na verdade e na paz. Não pedia mais nada!
Durante o tempo que estive em Portimão passei a maior parte do tempo a dormir, a ler e só a partir das 17h ia até à piscina. Foi uma verdadeira terapia!
No 1.º dia que chegámos a Portimão agendámos desde logo o dia para irmos ao Sasha Summer Sessions e assim foi! Dormi o dia todo e estava super preparada e mentalizada, mas quando chegou a hora… não me apetecia, estava cansada, doía-me a barriga e tinha sono. As minhas primas e o meu irmão insistiram tanto que não tive coragem para desistir. E fui!
Nessa noite conheci um anjinho que me salvou e devolveu-me a alegria de viver, fez-me voltar a acreditar no verdadeiro amor, nos verdadeiros sentimentos, na sinceridade, na verdade, na entrega total, em sentimentos puros, fez-me voltar a rir e a sorrir, trouxe-me a felicidade plena e a confiança num futuro muito, mas muito melhor…
"Todos nós precisamos de uma relação, pois ninguém é feliz sozinho. E nessa relação precisamos de admirar e sentir desejo pelo outro, mas também precisamos de sentir que o outro nos admira e deseja com a mesma intensidade." Quintino Aires







